México diz que irá defender direitos de seus imigrantes e cooperar com a ONU

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Uma autoridade de alto escalão do México disse a um fórum de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira que seu governo irá defender os direitos de seus imigrantes contra medidas de segurança discriminatórias.

Miguel Ruiz Cabañas, subsecretário de direitos humanos, não mencionou os Estados Unidos, mas se referiu claramente à contenda com o presidente norte-americano, Donald Trump, devido à sua proposta de construir um muro na fronteira entre os dois países e à política imigratória severa dos EUA.

Ruiz Cabañas também repudiou o que chamou de "ultranacionalismo populista".

Medidas de segurança visando uma parte da população ou criminalizando certos grupos violam o Estado de Direito e são gravemente discriminatórias, afirmou Ruiz Cabañas em seu discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"É por isso que o governo do México reitera seu compromisso de defender nossos cidadãos no exterior", disse.

"Queremos ter certeza de que todos os mexicanos estão cientes de seus direitos e de que sabem como reagir quando confrontados com possíveis violações".

Os mexicanos estão irritados com os clamores de Trump para que empresas dos EUA não invistam ao sul da fronteira, com seus insultos a imigrantes e com as ameaças de obrigar o México a financiar o muro.

"Também reiteramos a convicção do México de que muros entre nações também são muros entre pessoas, e provocam extremismo e intolerância criando barreiras físicas e ideológicas que em nenhuma circunstância aceitaremos", afirmou o subsecretário.

Não houve reação imediata da delegação norte-americana.

Ruiz Cabañas disse que seu país acaba de assinar um acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, testemunhando "nossa cooperação e nossa abertura aos mecanismos de direitos humanos internacionais".

O México vivenciou uma década terrível de violência do narcotráfico, uma mistura ameaçadora de assassinatos, acobertamentos e incompetência.

Na semana passada, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, disse em um comunicado sobre a assinatura do acordo que seu escritório irá apoiar os esforços de enfrentamento da impunidade e de garantia de responsabilização no México.

Isso inclui a investigação de desaparecimentos e torturas, os direitos dos povos indígenas, a proteção de ativistas e jornalistas e o acesso à Justiça, explicou Zeid.

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