Esforço para conter vazamentos alimenta paranoia no governo Trump

Arshad Mohammed e Jonathan Landay e Warren Strobel

Em Washington

  • Carlos Barria/ Reuters

    Homem caminha pela ala norte da Casa Branca, em Washington DC

    Homem caminha pela ala norte da Casa Branca, em Washington DC

Steven Mnuchin, secretário do Tesouro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou sua primeira reunião com a cúpula do governo no mês passado para dizer a seus assessores que não irá tolerar vazamentos à mídia, disseram fontes a par do assunto.

Autoridades presentes e passadas disseram que, rompendo com a praxe, o acesso a um sistema de computador confidencial da Casa Branca foi restringido por indicados políticos para evitar que funcionários de carreira vejam memorandos sendo preparados para o novo presidente.

No Departamento de Segurança Interna, algumas autoridades disseram à agência de notícias Reuters que temem existir uma caça às bruxas em curso para detectar o vazador de um esboço do relatório de inteligência que mostrou poucas evidências de que cidadãos de sete países de maioria muçulmana que foram alvo de um decreto presidencial de Trump --posteriormente derrubado na Justiça-- representem uma ameaça aos EUA.

Tal rigor está alimentando a paranoia entre os servidores públicos de Washington, segundo os quais as restrições parecem concebidas para tentar limitar o fluxo de informações dentro e fora do governo e impedir que autoridades conversem com a mídia sobre tópicos que poderia resultar em notícias negativas.

Algumas reportagens sobre a disfunção governamental enfureceram Trump ao longo de suas poucas semanas no cargo. Ele descreveu veículos de imprensa como "mentirosos", "corruptos", "falhos" e "o inimigo do povo americano".

Em uma entrevista coletiva de imprensa de 16 de fevereiro, Trump disse "os vazamentos são absolutamente reais, a notícia é falsa" e pediu ao Departamento de Justiça para analisar os vazamentos de "informações confidenciais que foram dadas ilegalmente" a jornalistas tratando do relacionamento de seus assessores com a Rússia. 

Várias autoridades de agências diferentes que falaram à Reuters sob condição de anonimato contaram que alguns empregados temem que seus telefonemas e emails possam ser monitorados e que relutam em dizer o que pensam durante discussões internas.

Além disso, as fontes dizem que os limites impostos ao fluxo de informações pegaram alguns integrantes do gabinete de surpresa em questões importantes e criaram incertezas em governos estrangeiros a respeito das políticas norte-americanas.

Naquele que pode ser o esforço mais visível para conter os vazamentos, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, exigiu que alguns assessores entregassem seus celulares para que se verificasse ligações ou mensagens de texto a repórteres, relatou o site Politico no domingo -- mas a notícia sobre a inspeção logo vazou.

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