Cidades europeias se esforçam para impedir comícios turcos em campanha para referendo

Por Thomas Escritt e Shadia Nasralla

ROTERDÃ/VIENA (Reuters) - O ministro do Exterior da Turquia, Mevlut Cavusoglu, não terá permissão para fazer campanha por votos junto à comunidade turca durante visita à Roterdã neste sábado, disse o prefeito da cidade holandesa, se juntando a uma crescente lista de cidades europeias que têm impedido esses atos.

"Ele tem imunidade diplomática, e nós vamos tratá-lo com respeito, mas nós temos outros instrumentos para proibir que coisas aconteçam em lugares públicos”, disse o prefeito Ahmed Aboutaleb a jornalistas.

Quatro reuniões políticas turcas planejadas para a Áustria e uma para a Suíça também foram canceladas, nos mais recentes sinais do desconforto na Europa diante dos esforços turcos para reunir apoio para o presidente Tayyp Erdogan no período que antecede o referendo de 16 abril sobre a ampliação dos seus poderes.

As relações entre a Turquia e a União Europeia se deterioraram nos últimos meses, com Erdogan irritado por causa das críticas de membros do bloco sobre a repressão em massa de opositores desde a tentativa de golpe fracassada de julho.

A disputa relacionada à campanha junto às grandes comunidades turcas pela Europa tem aumentado as tensões. Erdogan comparou o cancelamento de atividades na Alemanha com táticas fascistas da era nazista. A chanceler Angela Merkel disse na quinta-feira que tais comentários eram “indignos” e deveriam parar.

Após sobreviver ao golpe de julho, Erdogan diz que o referendo é necessário para garantir a estabilidade. Políticos europeus o acusaram de usar o golpe frustrado como pretexto para prisões em massa e dispensas, que têm abafado a oposição.

As mudanças constitucionais propostas para fortalecer os poderes do presidente seriam um “retrocesso perigoso” para a democracia, disse um grupo de especialistas no Conselho da Europa nesta sexta.

Segundo o grupo, as mudanças dariam ao presidente “o poder para dissolver o Parlamento por qualquer motivo, o que é fundamentalmente contrário a sistemas presidencialistas democráticos”.

SEGURANÇA

A polícia suíça mencionou “riscos significativos de segurança” para justificar a sua decisão de cancelar um discurso de um político turco nesta sexta-feira.

O ministro Cavusoglu ainda busca um novo local para um evento no domingo, depois da desistência de um hotel perto de Zurique por causa de motivos de segurança. Uma alternativa na cidade de Winterhur foi rejeitada por ser considerada inapropriada.

A cidade de Hoerbranz, na Áustria, cancelou um evento com um ex-ministro turco porque os organizadores haviam falsamente o descrito como a apresentação de um livro.

Eventos também foram cancelados em Linz e Herzogenburg. Uma quarta cidade austríaca, Wiener Neustadt, buscava uma forma de cancelar uma reunião planejada para domingo.

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