Presidente cassada da Coreia do Sul pode ser alvo de nova investigação; adota tom desafiador

Por Ju-min Park

SEUL (Reuters) - A presidente cassada da Coreia do Sul, Park Geun-hye, foi criticada nesta segunda-feira por ter prometido, em tom desafiador, que a verdade sobre seu impeachment será revelada, e o principal partido de oposição do país exortou procuradores a investigá-la rapidamente.

A Corte Constitucional afastou Park do cargo na sexta-feira, quando chancelou uma votação de impedimento do Parlamento provocada por um escândalo de tráfico de influência que abalou a elite política e empresarial do país.

Park nega qualquer transgressão.

 A ex-líder deixou a residência presidencial da Casa Azul, em Seul, na noite de domingo, e voltou à sua casa particular na capital como cidadã comum, destituída da imunidade presidencial que a blindava de um processo.

"Mesmo no momento em que partia, ela se recusou a dizer sequer uma palavra de arrependimento diante do povo, mas disse isso e aquilo sobre a verdade e não declarou nada além de desobediência", disse Choo Mi-ae, líder do Partido Democrático, principal legenda opositora, durante uma reunião nesta segunda-feira.

Park não se manifestou publicamente desde o veredicto, mas um porta-voz leu um comunicado da ex-presidente depois de seu retorno ao bairro de classe alta de Gangnam, onde reside, no qual lamentou não ter podido completar seu mandato.

"Vai demorar, mas acredito que a verdade será revelada", afirmou Park por meio do porta-voz.

Muitos sul-coreanos interpretaram a mensagem como um repúdio à decisão do tribunal.

"Protestar contra a Corte Constitucional é uma traição do povo e uma traição da constituição", disse Yoo Seong-min, candidato presidencial do pequeno Partido Bareun, de direita.

As ações da Coreia do Sul atingiram seu maior valor em mais de 20 meses, já que o sentimento geral melhorou devido à esperança de que a destituição de Park irá pôr fim à incerteza.

A moeda local, o won, subiu cerca de 1,1 por cento.

O Serviço de Investidores da Moody´s disse que o impeachment de Park foi "positivo para o crédito", já que irá permitir que uma nova presidência se concentre em reformas que abordem "os desafios econômicos estruturais em meio aos ventos domésticos e externos favoráveis ao crescimento".

A Procuradoria do Distrito Central de Seul não estava disponível para comentar, mas a mídia noticiou que procuradores estão cogitando intimar Park ainda nesta semana.

Uma eleição antecipada será realizada até 9 de maio.

(Reportagem adicional de Kim Kyung-hoon)

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