Primeiro orçamento de Trump privilegia militares às custas de diplomacia e meio ambiente

Por Roberta Rampton

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irá pedir ao Congresso que faça cortes drásticos em muitos programas federais para poder reforçar os gastos com a defesa, começar a construir um muro na fronteira com o México e gastar mais com a deportação de imigrantes ilegais.

Em uma proposta de orçamento federal com muitos perdedores, a Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Estado se destacam como alvos das maiores reduções de gastos. O financiamento de 19 organismos independentes que contam com dinheiro federal para transmissões públicas, artes e questões regionais que vão do Alasca aos Montes Apalaches irá secar completamente.

    O esboço de orçamento de Trump é um plano enxuto que só cobre os gastos "discricionários" para o ano fiscal de 2018, que começa em 1o de outubro, e é a primeira manobra do que se espera ser uma batalha intensa por gastos nos próximos meses no Congresso, que controla os recursos do governo e raramente aprova as propostas orçamentárias dos presidentes.

    O Congresso, mesmo controlado pelos colegas republicanos de Trump, pode rejeitar alguns ou muitos de seus cortes propostos. Algumas das mudanças sugeridas, às quais os democratas irão se opor em massa, estão na mira de republicanos conservadores há décadas.

    Além do pedido para o ano fiscal de 2018, uma cópia de um orçamento suplementar para o ano fiscal de 2017 obtida pela Reuters mostra que o governo planeja solicitar 30 bilhões de dólares para o Departamento de Defesa e 3 bilhões para o Departamento de Segurança Interna.

    Os recursos seriam alocados neste ano para cobrir a obtenção de tecnologia militar, como caças de combate F-35 e sistemas de drones (aeronaves não-tripuladas), iniciar o muro na divisa com o México e aumentar o espaço para a detenção de imigrantes. Provavelmente o Congresso irá analisar o pedido suplementar até 28 de abril, quando o financiamento regular atual vence.

    Republicanos moderados já expressaram apreensão com cortes em potencial em programas domésticos populares, como subsídios para calefação, projetos de água limpa e treinamento profissional. Os democratas criticaram a proposta por carecer de detalhes e disseram que será devastadora para as famílias norte-americanas.

    "O presidente Trump não está deixando ninguém mais protegido com um orçamento que esvazia nossa economia e ameaça as famílias trabalhadoras", disse a líder democrata na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi.

    Trump quer gastar 54 bilhões de dólares a mais com a defesa, pagar uma primeira parcela do muro e dar vida a algumas outras promessas de campanha.

Seu projeto de orçamento inicial não incorpora sua promessa de investir 1 trilhão de dólares em estradas, pontes, aeroportos e outros projetos de infraestrutura. A Casa Branca disse que o plano de infraestrutura está a caminho.

    Os aumentos para a defesa seriam compensados por cortes em outros programas para não aumentar o deficit federal de 488 bilhões de dólares. Mick Mulvaney, diretor de orçamento da Casa Branca, reconheceu que a proposta provavelmente levará a cortes significativos na mão de obra federal.

    (Reportagem adicional de Julia Edwards Ainsely e Richard Cowan)

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