Presidenciável francês Fillon sofre críticas até de aliado a um mês da eleição

Por Richard Balmforth

PARIS (Reuters) - O candidato presidencial francês de direita François Fillon voltou a sofrer pressões nesta quarta-feira devido a novas reportagens sobre conflitos de interesse financeiros e políticos, e um aliado de seu partido atacou um item crucial de seu radical programa de recuperação econômica.

No momento em que investigadores ampliam um inquérito sobre centenas de milhares de euros que Fillon pagou à sua esposa, Penelope, e seus filhos, seu chefe de campanha criticou uma "novela" diária de vazamentos na mídia que ele disse terem como meta prejudicar as perspectivas de Fillon ser eleito presidente em maio.

"Está claro que estes são vazamentos orquestrados", disse Bruno Retailleau, coordenador de campanha de Fillon, à rádio RTL. "Estamos sendo arrastados para dentro de uma novela."

Outrora favorito, o ex-primeiro-ministro conservador de 63 anos caiu para a terceira colocação nas pesquisas e corre o risco de ser eliminado no primeiro turno de 23 de abril, abrindo caminho para uma decisão entre a líder de extrema-direita Marine Le Pen e o independente de centro Emmanuel Macron, visto como provável vencedor na votação decisiva de 7 de maio.

À parte as alegações de desonestidade que vem assombrando sua campanha desde que o jornal Le Canard Enchainé revelou o escândalo apelidado de "Penelopegate" no final de janeiro, Fillon teve que enfrentar críticas inesperadas de um membro influente de seu partido, Os Republicanos, a respeito de sua plataforma econômica.

Pronunciando-se contra a proposta de Fillon de cortar 500 mil empregos do setor público, François Baroin disse: "O Estado não pode obrigar autoridades locais a reduzirem a mão de obra, tal como proposto".

"Estou dizendo a François Fillon: 'Cuidado. Perigo à frente!'", disse Baroin, que preside a associação nacional de prefeitos da França, um grupo de prestígio ao qual Fillon deve discursar ainda nesta quarta-feira.

Na terça-feira uma fonte a par da investigação sobre Fillon disse que o inquérito de fraude, que analisa a suposta malversação de fundos públicos, foi ampliado e agora inclui a suspeita de que documentos falsos foram apresentados para justificar o emprego de seus familiares.

Além disso, em sua edição mais recente o Le Canard Enchainé noticiou que um bilionário libanês pagou 50 mil dólares a uma empresa de Fillon em 2015 para que esta obtivesse encontros com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e com o diretor-executivo da petroleira Total, Patrick Pouyanne.

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