Ministros dissidentes do governo socialista fortalecem Macron na corrida presidencial francesa

Por Brian Love e Michel Rose

PARIS (Reuters) - Favorito na eleição presidencial da França, o centrista Emmanuel Macron, de 39 anos, viu sua dianteira nas pesquisas de opinião ganhar força nesta quinta-feira graças à notícia de que dois membros do governo estão abandonando o candidato do Partido Socialista para apoiá-lo.

As deserções incluem um nome de peso: o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, socialista proeminente que é aliado próximo e amigo do presidente francês, François Hollande, há quase 40 anos.

Macron, que jamais exerceu um cargo eletivo, alcançou a liderança das pesquisas com a promessa de transcender a divisão já antiga entre esquerda e direita com um programa de governo multipartidário.

Sua posição foi confirmada por uma sondagem da empresa Harris Interactive com mais de 6 mil eleitores que o mostrou chegando na frente no primeiro turno de 23 de abril e vencendo com folga a líder de extrema-direita Marine Le Pen na votação decisiva de 7 de maio.

A segunda deserção no ministério do governo socialista foi de Thierry Braillard, que ocupa a pasta dos Esportes. No início desta semana a ministra da Biodiversidade, Barbara Pompili, outra integrante da liderança socialista que está no poder desde 2012, também declarou apoio a Macron em vez de se aliar ao nome de seu partido, Benoît Hamon.

É uma má notícia para Hamon, que tem aparecido em quarto lugar nas pesquisas há semanas e caiu para quinto no levantamento da Harris.

Hollande, o primeiro presidente francês a não tentar a reeleição desde a adoção do voto universal em 1962, pediu a seus ministros para não revelarem seu posicionamento pré-eleitoral ao menos até o final desta semana.

Le Drian anunciou sua debandada ao Ouest-France, um jornal regional. O endosso de uma voz respeitada em temas de segurança e política externa é especialmente bem-vindo para o jovial ex-ministro da Economia, que vem sendo criticado por adversários por carecer de experiência nestas áreas.

Braillard revelou sua decisão publicamente no Twitter e em uma entrevista à rádio RTL na qual disse: "O programa de Emmanuel Macron é aquele que se adapta melhor aos desafios diante da França".

Até agora a campanha vem sendo assolada por inquéritos judiciais contra dois dos principais candidatos --François Fillon, ex-primeiro-ministro conservador que liderava as pesquisas até ser atingido por alegações de pagamentos ilícitos a familiares e agora está em terceiro lugar na disputa, e Le Pen, acusada de usar fundos do Parlamento Europeu para pagar seu guarda-costas e seu principal secretário.

(Reportagem adicional de Simon Carraud e Dominique Vidalon)

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