Aliança improvável de Portugal faz progressos em meio a decadência da esquerda europeia

Por Axel Bugge

LISBOA (Reuters) - Enquanto a esquerda europeia passa apertos onde ocupa o poder, a aliança de governo de Portugal vem se mostrando uma exceção notável: está aumentando os salários e ganhando popularidade ao mesmo tempo em que apresenta o menor deficit orçamentário de que se tem lembrança.

A aliança improvável de socialistas de centro-esquerda com dois partidos de extrema esquerda superou um ceticismo profundo desde que foi formada em 2015, conquistando a estabilidade e mantendo a recuperação econômica em um momento de incerteza política em toda a Europa.

    Até o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, um conservador, reconhece a boa condução de um país que só conseguiu se livrar de um programa de socorro financeiro internacional em 2014. "Tenho me surpreendido", afirmou em fevereiro.

    "Francamente, não achava que (a aliança) seria tão resiliente quanto mostrou ser no último ano."

    O governo é uma gestão socialista minoritária, e não uma coalizão, e o Partido Socialista ocupa todos os ministérios --mas depende do apoio do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda para manter sua maioria parlamentar, rompendo um tabu que manteve a extrema-esquerda longe do poder desde a retomada da democracia, em 1974.

    Os portugueses estão se afeiçoando ao governo, que vem afrouxando algumas políticas de austeridade impostas pelo programa de socorro, embora à custa de cortes profundos nos gastos de prazo mais longo em obras públicas.

    O primeiro-ministro, António Costa, admitiu a necessidade de reequilíbrio. "Orçamentos não podem ser administrados com milagres, eles são administrados com rigor, trabalho duro e administração cuidadosa", disse.

    A confiança do eleitorado na aliança mais que dobrou --embora partindo de um nível baixo-- e os socialistas, que estavam no governo quando Portugal teve que pedir o socorro em 2011, estão sendo os mais beneficiados.

    Pesquisas mostram 42 por cento de apoio aos socialistas de Costa, um aumento de 10 pontos percentuais em relação à sua parcela de votos na eleição de 2015 e perto do patamar que lhes daria uma maioria no Parlamento se o país voltasse às urnas.

    A experiência de Portugal pode interessar a Alemanha, onde o Partido Social-Democrata está explorando opções para uma coalizão, depois das eleições de setembro, com os Verdes e o partido A Esquerda, marginalizado em nível nacional até agora devido às suas origens no antigo partido comunista da Alemanha Oriental.

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