EUA frustram aposta do G7 para encontrar posição comum sobre energia e clima

Por Stephen Jewkes e Alberto Sisto

ROMA (Reuters) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frustrou nesta segunda-feira os esforços do G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, para encontrar uma posição comum para a energia pedindo mais tempo para delinear suas políticas contra a mudança climática.

Em março Trump assinou um decreto que revogou regulamentações de combate à mudança climática criadas por seu antecessor, Barack Obama, pondo em dúvida o apoio dos EUA ao acordo internacional para combater o aquecimento global.

    O principal alvo do decreto foi o Plano de Energia Limpa de Obama, que exigia que os Estados cortassem as emissões de carbono das usinas de energia --um fator crucial para os EUA conseguirem cumprir as metas do acordo climático firmado por quase 200 países em Paris em 2015.

Em uma coletiva de imprensa de encerramento da cúpula energética do G7 em Roma, o ministro da Indústria e da Energia italiano, Carlo Calenda, disse que Washington está estudando sua estratégica sobre a mudança climática e o Acordo de Paris.

"Enquanto isto está em curso, os EUA reservam sua posição a respeito destas prioridades-chave", disse. "Não foi possível assinar uma declaração conjunta, já que ela não cobriria toda a gama de tópicos na agenda."

    Calenda, que presidiu a reunião do G7, disse que todos os outros países da União Europeia continuam fortemente comprometidos com o pacto parisiense para conter as emissões de gases de efeito estufa.

    Falando de Madri nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, disse que a Europa irá "respeitar a opinião de todos no assunto, mas não irá aceitar adotar quaisquer passos para trás com respeito às escolhas estratégicas contra a mudança climática".

    Gentiloni deve se encontrar com Trump em uma cúpula do G7 que seu país irá sediar na Sicília no mês que vem, e Roma está ansiosa para obter apoio público de todos os líderes signatários do Acordo de Paris.

    Uma fonte a par das conversas no G7 disse que o fato de o secretário de Energia norte-americano, Rick Perry, não ter se comprometido mostrou o isolamento dos EUA na reunião ministerial.

    "Os EUA também queriam incluir referências ao carvão e aos combustíveis fósseis", acrescentou a fonte.

    Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu retirar seu país do acordo, argumentando que ele prejudica os negócios norte-americanos.

    Grupos ambientais criticaram o decreto presidencial, dizendo que ele se coloca perigosamente contra à tendência global rumo a tecnologias de energia mais limpa. Calenda deve conversar com Perry na terça-feira.

    (Reportagem adicional de Isla Binnie em Madri)

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