Países emergentes cobram que nações ricas honrem promessas de financiamento climático

PEQUIM (Reuters) - China, Brasil, Índia e África do Sul cobraram as nações industrializadas a honrar os compromissos financeiros assumidos em Paris em 2015 para ajudar os países em desenvolvimento a lutar contra a mudança climática, disseram os membros do chamado Basic em um comunicado conjunto nesta terça-feira.

Após uma reunião em Pequim, ministros dos quatro países encarregados do combate à mudança climática pediram às nações ricas que "honrem seus compromissos e aumentem o financiamento climático rumo à meta de 100 bilhões de dólares", e disseram que é preciso ter mais clareza para "monitorar e prestar contas" destes compromissos.

O financiamento climático foi um grande motivo da discórdia durante as negociações para se firmar um novo acordo global para conter e reduzir os gases de efeito estufa em Paris no final de 2015, quando China e outras nações em desenvolvimento insistiram que a maior parte da responsabilidade deveria caber a nações industrializadas avançadas, como os Estados Unidos.

Como parte do pacto de Paris, os países desenvolvidos concordaram em disponibilizar mais verba para o Fundo Clima Verde, concebido para ser usado por países pobres e vulneráveis ao clima.

Mas o pacto mergulhou na incerteza depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, que questiona o fundamento científico do aquecimento global, propôs no mês passado o fim dos pagamentos ao fundo e assinou um decreto revogando regulamentações de combate à mudança climática criadas por seu antecessor, Barack Obama.

Em uma coletiva de imprensa realizada depois da reunião desta terça-feira, a vice-ministra de Assuntos Ambientais da África do Sul, Barbara Thompson, disse que as mudanças recentes na política norte-americana são "muito preocupantes" para os países desenvolvidos".

Mas "a posição dos EUA ainda não está muito clara para nós", afirmou, acrescentando que "acreditamos que existem visões diferentes dentro do governo dos EUA" a este respeito.

Na mesma coletiva, o principal enviado chinês para assuntos climáticos, Xie Zhenhua, insistiu que seu país continua disposto a trabalhar mais estreitamente com Washington.

Os compromissos conjuntos da China e dos EUA, os dois maiores emissores mundiais dos gases de efeito estufa, ajudaram a preencher a lacuna que separa países desenvolvidos e em desenvolvimento e proporcionaram o ímpeto necessário para selar o acordo em Paris.

(Reportagem adicional de Alister Doyle em Oslo)

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