Opositores de Erdogan alegam fraude e tentam anular referendo da Turquia

Por Gulsen Solaker e Tuvan Gumrukcu

ANCARA (Reuters) - O principal partido de oposição da Turquia iniciou nesta terça-feira uma batalha para anular um referendo que deu amplos poderes ao presidente Tayyip Erdogan, e a ordem dos advogados e um grupo internacional de monitoramento disseram que uma manobra ilegal das autoridades eleitorais pode ter alterado votos.

Um Erdogan desafiador, cuja vitória apertada expôs as profundas divisões da nação, disse que a votação de domingo encerrou qualquer debate sobre a adoção de uma Presidência mais forte, como vinha almejando, e disse aos observadores europeus que a criticaram que "fiquem falando sozinhos".

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, cujo cargo irá deixar de existir quando as mudanças constitucionais entrarem em vigor, disse que Erdogan será convidado a voltar ao governista Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) assim que os resultados finais forem anunciados, sinal de que o governo não tem intenção de esperar para ver o desfecho das apelações da oposição.

Segundo a Constituição atual, o presidente deve se manter imparcial e renunciar a qualquer laço com partidos políticos.

Poucos turcos acreditam que os questionamentos legais ao referendo levem a uma recontagem, e muito menos a uma nova consulta. Mas, se estes não forem resolvidos, irão deixar enormes dúvidas a respeito da legitimidade de uma votação que dividiu o eleitorado ao meio e cuja campanha polarizadora provocou críticas e receios de aliados europeus.

A ordem dos advogados da Turquia disse que a decisão de última hora do comitê eleitoral YSK de permitir que votos sem o carimbo das autoridades fossem computados violou a lei claramente, impediu que registros adequados fossem feitos e pode ter influenciado os resultados.

"Com esta decisão ilegal, os conselhos das urnas (autoridades nas seções de votação) foram levadas a crer que o uso de votos sem carimbo era apropriado", disse a União de Associações de Advogados da Turquia em um comunicado.

A maior legenda opositora do país, o Partido Popular Republicano (CHP, na sigla em turco), disse que irá apresentar uma apelação formal ao YSK pedindo a anulação da votação ainda nesta terça-feira e que irá levar seu questionamento à Corte Europeia de Direitos Humanos, se necessário.

O vice-presidente do conselho do CHP, Bulent Tezcan, disse que o número de votos desaparecidos é "inédito", embora a quantidade exata de votos sem carimbo seja desconhecida.

   (Reportagem adicional de Ece Toksabay em Ancara, Daren Butler em Istambul, Shadia Nasralla em Viena, Robine Emmott e Francesco Guarascio em Bruxelas)

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