Diretor do FBI defende decisão de divulgar emails de Hillary, mas admite mal-estar

Por Doina Chiacu e Julia Edwards Ainsley

WASHINGTON (Reuters) - O diretor do FBI, James Comey, disse nesta quarta-feira que o fez se sentir "ligeiramente nauseado" pensar que teve impacto na eleição presidencial norte-americana de 2016, mas que não tinha escolha além de anunciar, pouco dias antes da votação, que a agência havia reaberto uma investigação sobre emails da candidata democrata Hillary Clinton.

Comey disse ao Comitê Judiciário do Senado que uma razão para o FBI voltar a se interessar pela correspondência de Hillary antes da votação de 8 de novembro foi que investigadores encontraram emails, alguns dos quais eram confidenciais, encaminhados pela assistente de Hillary, Huma Abedin, a seu marido, que não estava autorizado a ver tais informações.

Tratou-se da defesa mais apaixonada que Comey fez até o momento de sua decisão de comunicar ao Congresso, em uma carta de outubro passado, que o FBI havia descoberto uma nova leva de emails relacionados à candidata, um anúncio que revoltou os democratas.

Na terça-feira Hillary disse que sua campanha desandou em parte por causa do anúncio de Comey sobre a retomada do inquérito sobre seu uso de um servidor de emails particular quando era secretária de Estado. Ela ainda disse que sua campanha para derrotar o republicano Donald Trump foi prejudicada pela divulgação do site WikiLeaks de emails de seu diretor de campanha, John Podesta, supostamente roubados por hackers russos.

Comey disse ao comitê do Senado que sentiu que tinha que se pronunciar sobre a investigação das mensagens no ano passado por ter dito várias vezes ao Congresso que esta estava encerrada.

"Não falar disso exigiria um ato de ocultação, em minha opinião", afirmou Comey. "Ocultar, em minha opinião, seria catastrófico".

Alguns dias depois do anúncio, o FBI, que deve se manter politicamente neutro, disse que os novos emails não alteravam uma decisão anterior de não recomendar qualquer acusação criminal contra Hillary, mas muitos democratas acreditam que o dano político estava feito.

Também nesta quarta-feira senadores perguntaram a Comey por que ele decidiu vir a público sobre a investigação de Hillary, mas não sobre aquela que analisou se Trump ou seus associados tiveram contatos impróprios com agentes da Rússia.

Comey tentou convencê-los de que fez a escolha certa, dizendo que o inquérito sobre as atividades de hackeamento russo e cidadãos norte-americanos era uma investigação confidencial em seus estágios inicias – muito diferente do inquérito quase completo sobre os emails.

Em dezembro, agências de inteligência dos EUA determinaram que a Rússia esteve por trás da invasão de emails de democratas na tentativa de influenciar a eleição a favor de Trump.

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