Merkel diz que Europa não deve repelir Turquia, mas ressalta divergências

BERLIM (Reuters) - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta quarta-feira que a Europa não deveria simplesmente repelir a Turquia, apesar da preocupação com a concentração de poderes do presidente turco, Tayyip Erdogan, parecendo minimizar os rumores de que a Turquia já não aspira mais a entrar na União Europeia.

A principal autoridade europeia encarregada de lidar com a Turquia disse recentemente à Reuters que a Turquia se desqualificou para ingressar no bloco devido à repressão de Erdogan aos dissidentes, às suas acusações de "nazismo" contra a Alemanha e a um referendo que lhe concedeu novos e amplos poderes.

Mas em uma entrevista publicada no jornal Berliner Zeitung, Merkel disse que a Turquia é "um parceiro importante na luta contra o terror islâmico" e que é do interesse da UE e da Otan ter boas relações com Ancara.

"Não se deveria simplesmente repelir tal parceiro, mesmo em vista dos acontecimentos negativos que precisamos abordar", disse.

Indagada sobre as conversas a respeito da filiação à UE, Merkel se mostrou mais cautelosa, embora tenha reiterado que a Turquia irá cruzar uma linha vermelha com o bloco se retomar a pena de morte.

"Nós na Europa devemos debater conjuntamente que tipo de relacionamento futuro queremos com a Turquia", disse.

Muitos integrantes da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, estão céticos com a entrada turca na UE, mas a chanceler vem argumentando há tempos que é importante conversar com Ancara, e não há nenhuma decisão final a respeito da filiação.

Merkel também rejeitou os clamores de alguns aliados conservadores para endurecer as regras para a dupla cidadania, que afetam muitas das 3 milhões de pessoas de origem turca que moram na Alemanha, uma questão que estará presente até a eleição parlamentar de 24 de setembro.

"A dupla cidadania não será um tema de campanha como foi em 1999", afirmou Merkel ao diário Koelner Stadt Anzieger em uma entrevista, referindo-se ao debate ocorrido antes de o país mudar as regras em 2000, facilitando a obtenção da dupla cidadania.

Há uma década o governo de Merkel vem debatendo a necessidade de uma integração maior da comunidade turca alemã, e a chegada de mais de um milhão de imigrantes nos últimos dois anos intensificou o debate.

(Por Madeline Chambers)

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