Macron contempla desafios imediatos na Presidência da França

Por Michel Rose e John Irish

PARIS (Reuters) - Emmanuel Macron se deparou nesta segunda-feira com lembretes enfáticos dos desafios que irá enfrentar como próximo presidente da França, ainda que aliados e alguns ex-rivais tenham sinalizado a disposição para trabalhar de perto com ele.

A vitória do político de centro sobre a líder de extrema-direita Marine Le Pen na eleição de domingo foi um grande alívio para aliados da União Europeia que temiam outra vitória populista na esteira da votação que decidiu a separação do Reino Unido da União Europeia no ano passado e da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

"Ele carrega as esperanças de milhões de franceses, e de muitas pessoas na Alemanha e na Europa como um todo", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em uma coletiva de imprensa em Berlim.

"Ele fez uma campanha pró-Europa corajosa, defende a abertura ao mundo e está comprometido decisivamente com uma economia de mercado social", acrescentou a líder mais poderosa da UE, parabenizando Macron por seu sucesso eleitoral "espetacular".

Mas ainda que tenha prometido ajudar a França a atacar o desemprego, Merkel rejeitou as insinuações de que a Alemanha deveria fazer mais para apoiar a economia da Europa importando mais de seus parceiros para reduzir seu grande superávit comercial.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi explícito: "Com a França temos um problema em particular... os franceses gastam dinheiro demais e gastam demais nos lugares errados. Isso não irá funcionar no decorrer do tempo", afirmou Juncker em Berlim.

O euro sofreu uma queda depois de seis meses de alta diante do dólar com a confirmação da muito aguardada vitória de Macron com uma margem de 66 por cento a 34 por cento dos votos, e os investidores se aproveitaram de um ganho de cerca de 3 por cento com a moeda desde que o candidato independente venceu o primeiro turno eleitoral duas semanas atrás.

A fragilidade econômica francesa, em especial o alto desemprego, minou a popularidade do presidente socialista em fim de mandato, François Hollande, a tal ponto que ele decidiu nem concorrer à reeleição.

"Neste ano, queria que Emmanuel Macron estivesse aqui comigo para que uma tocha pudesse ser passada adiante", disse Hollande, que apareceu ao lado de Macron na Tumba do Soldado Desconhecido, no Arco do Triunfo de Paris, para comemorar a vitória no Dia da Europa e a rendição das forças nazistas em 8 de maio de 1945, perto do final da Segunda Guerra Mundial.

Em outros pontos da capital francesa, centenas de pessoas, lideradas pela poderosa central sindical CGT, marcharam em protesto contra as reformas trabalhistas planejadas por Macron.

Quando tomar posse no próximo domingo como o mais jovem líder francês desde Napoleão, o político de 39 anos irá enfrentar o desafio imediato de garantir uma maioria na eleição parlamentar do mês que vem para ter uma chance realista de implementar seus planos de menor gasto estatal, mais investimento e reformas tributária, trabalhista e previdenciária.

Como os dois maiores partidos do país --o conservador e os socialistas-- sequer disputaram o segundo turno presidencial, suas chances de obter uma maioria que apóie suas promessas de campanha irão depender de uma ampliação de sua base de centro.

(Reportagem adicional de Ingrid Melander, Andrew Callus, Bate Felix, Adrian Croft, Leigh Thomas, Tim Hepher, Gus Trompiz)

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