Ex-premiê francês Valls oferece apoio a Macron em eleições parlamentares

Por Richard Balmforth

PARIS (Reuters) - O presidente eleito da França, Emmanuel Macron, recebeu nesta terça-feira uma oferta de apoio do ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls, no momento em que ele e assessores trabalham em estratégias para eleições parlamentares que serão cruciais para seus planos de reformas.

A vitória enfática do candidato de centro de 39 anos sobre a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, na eleição de domingo representou um alívio para os aliados franceses na União Europeia e os mercados financeiros.

Mas, uma vez que tomar posse no Palácio do Eliseu na próxima semana, Macron enfrentará a tarefa de assegurar uma segunda vitória eleitoral em junho para seu partido recém-criado, agora renomeado "La Republique en Marche" ou "República em Marcha", de forma a obter a maioria necessária para implementar seus planos para a recuperação econômica.

Governos sucessivos de centro-direita e centro-esquerda não conseguiram tirar a França de uma profunda paralisação econômica que inclui baixo crescimento, alto desemprego de cerca de 10 por cento e queda na competitividade.

O partido de Macron não tem nenhum assento atualmente no Parlamento, mas pesquisas de opinião da semana passada apontaram que a legenda deve emergir como a maior nas eleições parlamentares do próximo mês.

Ter maioria representaria uma chance real para Macron implementar promessas de campanha como reduzir os gastos públicos, aumentar os investimentos e realizar reformas nos setores trabalhista, previdenciário e fiscal.

Políticos de partidos tradicionais da França têm tentado emergir entre os sobreviventes de um naufrágio após a vitória de Macron, que impôs uma derrota em particular aos socialistas, cujo candidato presidencial, Benoit Hamon, obteve apenas 6 por cento dos votos no primeiro turno de 23 de abril.

Líderes do partido conservador Os Republicanos, cujo candidato François Fillon também foi derrotado no primeiro turno, têm um encontro marcado nesta terça-feira.

Alguns republicanos de centro parecem estar dispostos a ignorar a hierarquia partidária e trabalhar de perto com Macron -- um deles o ex-primeiro-ministro conservador Alain Juppé.

Em Bordeaux, seu reduto eleitoral, Juppé disse a jornalistas: "Não estou pretendendo obstrução sistemática e oposição direta (a Macron). Temos de ajudar a França a ter sucesso e ajudar as reformas vitais a ter sucesso".

Entre os socialistas, a oferta de Valls de concorrer pelo "En Marche" na eleição parlamentar de junho representa a primeira deserção desde a vitória de Macron.

Como um premiê pró-mercados durante o governo do presidente François Hollande, Valls tem um perfil semelhante ao de Macron, que trabalhou no governo como ministro da Economia.

Mas Macron será cauteloso em convidar muitos proeminentes ex-socialistas para seu partido, uma vez que isso daria crédito aos argumentos de seus adversários conservadores de que o governo de Macron será a continuação do impopular mandato de Hollande.

O partido de Macron respondeu à proposta de Valls sem se comprometer. O porta-voz do partido, Benjamin Griveaux, disse que Valls não havia aplicado para o comitê de seleção do partido e que ele tinha 24 horas para fazer isso.

(Reportagem de Marine Pennetier, Emmanuel Jarry e Michel Rose)

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