Parlamentares dos EUA querem que Trump explique compartilhamento de inteligência com a Rússia

Por Susan Cornwell e Susan Heavey

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi pressionado nesta terça-feira por parlamentares, inclusive seus colegas republicanos, para explicar por que compartilhou informações altamente sigilosas com autoridades de primeiro escalão da Rússia durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca na semana passada.

Funcionários norte-americanos disseram que Trump debateu dados de inteligência sobre o Estado Islâmico com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e com o embaixador russo, Sergei Kislyak, no encontro de quarta-feira passada.

As fontes disseram que a informação foi fornecida por um aliado dos EUA na luta contra o grupo militante. O jornal The New York Times identificou o aliado como Israel, mas duas fontes de segurança nacional dos EUA disseram duvidar da reportagem.

As revelações abalaram o governo, que se esforça para superar a repercussão negativa da decisão de Trump de demitir abruptamente o diretor do FBI, James Comey, cuja agência investigava laços em potencial da Rússia com a campanha presidencial de 2016 de Trump.

O Comitê de Inteligência do Senado pediu à Casa Branca que lhe forneça mais informações sobre os relatos de que Trump deu informações de inteligência aos russos, informou uma porta-voz do colegiado.

Investigadores do Congresso devem pedir cópias de quaisquer notas que tenham sido tomadas durante a conversa, segundo uma fonte congressista.

Embora não seja inédito, é um privilégio raro um chanceler ter acesso a conversas bilaterais com um presidente norte-americano no Salão Oval.

Principal diplomata de Moscou, Lavrov é o representante de política externa da Rússia, muitas vezes radicalmente diferente dos objetivos de Washington na Síria e na Europa.

    Trump disse no Twitter nesta terça-feira que tem o "direito absoluto" de compartilhar fatos com a Rússia para que esta possa ser mais ativa no combate aos militantes do Estado Islâmico.

"Como presidente eu quis compartilhar com a Rússia (em uma reunião aberta planejada na Casa Branca), o que eu tenho o direito absoluto de fazer, fatos relativos ao terrorismo e à segurança de voos. Razões humanitárias, e além disso eu quero que a Rússia aumente sua luta contra o Estado Islâmico e o terrorismo", escreveu Trump no Twitter.

O grupo radical é um inimigo comum de Moscou e Washington.

    Os presidentes dos EUA têm autoridade para revelar até as informações mais sigilosas à vontade, mas autoridades norte-americanas e de aliados afirmaram que, ao oferecer informações a Moscou, Trump colocou em risco a cooperação de um parceiro que possui inteligência sobre o grupo extremista.

O conselheiro de segurança nacional de Trump, H.R. McMaster, disse que o líder norte-americano desconhecia a fonte da informação que revelou aos russos.

A deputada republicana Barbara Comstock pediu uma reunião a portas fechadas para que os parlamentares sejam informados da situação.

Já seu colega Elijah Cummings, o democrata mais graduado do Comitê de Reforma e Supervisão Governamental da Câmara dos Deputados, disse que a revelação de Trump só reforça o clamor de seus correligionários por uma investigação independente.

A turbulência vista na Casa Branca nas últimas semanas ofuscou prioridades legislativas dos republicanos, como as reformas tributária e da saúde.

(Reportagem adicional de Steve Holland, Doina Chiacu, Tim Ahmann, Patricia Zengerle, Jeff Mason e Mark Hosenball)

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