Presidente Rouhani alerta Guarda Revolucionária a não interferir em eleição do Irã

Por Babak Dehghanpisheh

BEIRUTE (Reuters) - O presidente do Irã, Hassan Rouhani, exortou nesta quarta-feira a poderosa Guarda Revolucionária e a milícia Basij sob seu controle a não interferirem na eleição presidencial de sexta-feira, um alerta raro que enfatiza as tensões políticas crescentes.

A Guarda, que supervisiona um império econômico de bilhões de dólares, raramente é criticada em público, mas o pragmático Rouhani está em uma corrida inesperadamente disputada com o clérigo linha-dura Ebrahim Raisi, que se acredita ter o apoio da Guarda.

"Só temos um pedido: que a Basij e a Guarda Revolucionária fiquem em seus próprios lugares para fazer seu próprio trabalho", disse Rouhani durante um discurso de campanha na cidade de Mashad, de acordo com a Agência de Notícias Trabalhista Iraniana (Ilna, na sigla em inglês).

Rouhani reforçou seu apelo ao dizer que o falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, alertou as forças armadas a não interferirem na política.

As suspeitas de que a Guarda Revolucionária e a milícia Basij fraudaram os resultados da eleição de 2009 a favor de Mahmoud Ahmadinejad desencadearam protestos em todo o país à época. Dezenas de pessoas foram mortas e centenas foram presas, segundo grupos de direitos humanos, durante os maiores distúrbios da história do país persa.

O líder supremo aiatolá Ali Khamenei, a maior autoridade iraniana, disse nesta quarta-feira que manter a segurança é uma das maiores preocupações na eleição. Ele ainda criticou a retórica acalorada da campanha, que classificou como "indigna" – uma repreensão velada a Rouhani, que busca um segundo mandato de quatro anos.

Rouhani, de 68 anos, e Raisi, um protegido de 56 anos do líder supremo, trocaram acusações de corrupção e brutalidade ao vivo na televisão com uma veemência jamais vista na história de quase 40 anos da República Islâmica.

Raisi acusou Rouhani de ser corrupto e de administrar mal a economia. Rouhani, que quer abrir o Irã ao Ocidente e aliviar as restrições sociais dentro do país, respondeu acusando Raisi, que serviu no Judiciário por vários anos, de violações de direitos humanos. Ambos negam as acusações.

(Por Babak Dehghanpisheh)

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