Venezuela envia 2 mil soldados para Estado alvo de roubos e protestos

Por Anggy Polanco

SAN CRISTÓBAL, Venezuela (Reuters) - A Venezuela informou estar enviando 2 mil soldados nesta quarta-feira para um Estado fronteiriço que é uma área significativa de radicalismo anti-governo, após uma noite de roubos na qual um jovem de 15 anos morreu, à medida que a agitação política ressoa pelo país.

A maior parte das lojas e empresas em San Cristóbal, capital do Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, foi fechada e protegida por soldados nesta quarta-feira, embora roubos tenham continuado em setores mais pobres, segundo moradores.

    Pessoas fugiram com itens incluindo café, fraldas e óleo de cozinha, em um país onde a brutal crise econômica fez com que alimentos básicos e remédios sumissem das prateleiras.

    Barricadas de lixo, pneus de carros e areia foram colocadas nas ruas, à medida que a vida cotidiana parou na cidade que também foi um centro durante a onda de agitações em 2014 contra o presidente Nicolás Maduro.

    Centenas de milhares de pessoas foram às ruas na Venezuela desde o início de abril pra exigir eleições, liberdade para ativistas presos, ajuda estrangeira e autonomia para o Legislativo, controlado pela oposição.

    O governo de Maduro acusa a oposição de tentar um golpe violento e diz que muitos dos manifestantes não são mais do que “terroristas”. A petroleira estatal PDVSA também culpou bloqueios nas estradas por faltas de gasolina em algumas partes do país nesta quarta-feira.

    Em Táchira, o adolescente José Francisco Guerrero foi morto a tiros durante o surto de roubos, disseram seus parentes.

    “Minha mãe enviou meu irmão ontem para comprar farinha para a janta e um pouco depois recebemos uma ligação dizendo que ele tinha sido ferido por uma bala”, disse sua irmã Maria Contreras, aguardando que o corpo fosse levado para o necrotério de San Cristóbal.

    O escritório do procurador estatal confirmou a morte do jovem, que eleva o número de mortos para ao menos 43.

JUDEUS DO SÉCULO 21

Com pressão internacional contra o governo da Venezuela crescendo, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas chamou atenção para a crise do país pela primeira vez nesta quarta-feira.

“O objetivo desta reunião é garantir que todos estejam cientes da situação... não estamos buscando ação do Conselho de Segurança”, disse a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, a repórteres após a sessão.

    “A comunidade internacional precisa dizer ‘respeite os direitos humanos de seu povo ou isto irá em uma direção que vimos muitos outros irem’ ... Estivemos neste caminho com a Síria, com a Coreia do Norte, com o Sudão do Sul, com Burundi, com Mianmar”.

    O enviado da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, por sua vez acusou os EUA de tentarem derrubar o governo Maduro.

    “O envolvimento dos EUA estimula a ação de grupos violentos na Venezuela”, disse, mostrando fotos de vandalismo e violência que disse terem sido causados por apoiadores da oposição.

    Venezuelanos morando no exterior, muitos fugidos do caos econômico do país, nas semanas recentes abordaram autoridades estatais em visitas e seus parentes.

    Maduro comparou na terça-feira o assédio ao tratamento de judeus sob regime nazista.

    “Somos os novos judeus do século 21 que Hitler perseguiu”, disse Maduro durante encontro do seu gabinete. “Nós não carregamos a estrela amarela de Davi... carregamos corações vermelhos que estão repletos de desejo de lutar pela dignidade humana. E iremos derrotá-los, estes nazistas do século 21”.

    Os nazistas alemães e seus colaboradores perseguiram e mataram seis milhões de judeus no Holocausto durante as décadas de 1930 e 1940.

    As redes sociais espalharam nas semanas recentes vídeos de migrantes venezuelanos em país como Austrália e EUA gritando insultos contra autoridades públicas e em alguns casos membros de seus famílias em espaços públicos.

    Críticos de Maduro dizem ser absurdo que autoridades gastem dinheiro com viagens ao exterior quando pessoas estão sofrendo para obter comida e crianças estão morrendo por falta de remédios básicos.

    Mas alguns simpatizantes da oposição dizem que tais assédios são a maneira errada de confrontar o governo.

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