Antes "califa", líder do Estado Islâmico agora vive em fuga

Por Michael Georgy e Maher Chmaytelli

BAGDÁ/ERBIL, Iraque (Reuters) - O líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, está prestes a perder os dois principais centros de seu autoproclamado "califado", mas, mesmo estando em fuga, pode demorar anos até que seja capturdo ou morto, disseram autoridades e especialistas.

Os combatentes do Estado Islâmico estão próximos de uma derrota nas capitais do território do grupo --Mosul no Iraque e Raqqa na Síria--, e autoridades dizem que Baghdadi está mantendo distância de ambas, escondendo-se em uma área de milhares de quilômetros quadrados de deserto entre as duas.

"No final ele ou será morto ou capturado, não irá conseguir ficar fora de vista para sempre", disse Lahur Talabany, diretor de contraterrorismo do Governo Regional do Curdistão, a região curda autônoma do norte iraquiano. "Mas isso ainda demora alguns anos", afirmou à Reuters.

Uma das maiores preocupações de Baghdadi é fazer com que aqueles que o cercam não o traiam pela recompensa de 25 milhões de dólares que os Estados Unidos ofereceram para levá-lo "à Justiça", disse Hisham al-Hashimi, que aconselha governos do Oriente Médio a respeito do Estado Islâmico.

"Sem terra para governar abertamente, ele não pode mais reivindicar o título de califa", explicou Hashimi. "Ele é um homem em fuga, e o número de seus apoiadores está encolhendo à medida que perdem território".

As forças do Iraque retomaram a maior parte de Mosul, cidade do norte do país que o grupo ultrarradical conquistou em junho de 2014 e da qual Baghdadi se declarou "califa", ou líder de todos os muçulmanos, pouco mais tarde. Raqqa, sua capital na Síria, está quase cercada por uma coalizão de grupos sírios-curdos e árabes.

As últimas imagens públicas do líder em vídeo o mostram vestido com mantos clericais negros declarando seu califado do púlpito da Grande Mesquita de Al-Nuri ainda em 2014.

Nascido Ibrahim al-Samarrai, Baghdadi é um iraquiano de 46 anos que rompeu com a Al Qaeda em 2013, dois anos após a captura e morte do líder do grupo, Osama bin Laden.

Ele cresceu em uma família religiosa, estudou teologia islâmica em Bagdá e se uniu à insurgência salafista jihadista em 2003, o ano da invasão dos EUA ao Iraque. Ele foi pego pelos norte-americanos, que o soltaram cerca de um ano mais tarde por considerá-lo então um civil, e não um alvo militar.

Ele é tímido e reservado, segundo Hashimi, e ultimamente está se mantendo na fronteira pouco povoada entre o Iraque e a Síria, onde drones e estranhos são fáceis de se notar.

O Programa de Recompensas de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA ofereceu os mesmos 25 milhões de dólares por Bin Laden e pelo falecido presidente iraquiano, Saddam Hussein, um valor ainda disponível para quem denunciar o sucessor de Bin Laden, Ayman al-Zawahiri.

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