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Secretário-geral da OEA aceita renunciar, mas impõe condições à Venezuela

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro - Colprensa - 13.out.2016
O secretário-geral da OEA, Luis Almagro Imagem: Colprensa - 13.out.2016

Silene Ramírez

De Caracas

24/06/2017 16h24

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, um forte crítico do governo venezuelano, decidiu neste sábado (24) aceitar a proposta do presidente Nicolás Maduro de trocar a sua renúncia pelo retorno do país ao organismo.

"Ofereço meu cargo em troca da liberdade da Venezuela", disse o diplomata uruguaio, que pediu aos países americanos que condenassem o governo de Maduro por sua gestão da crise política e econômica no país produtor de petróleo, considerando violações dos direitos humanos.

Na Assembleia Geral realizada esta semana no México, a OEA não chegou a um consenso sobre uma resolução condenatória. No entanto, os países membros se comprometeram a trabalhar até que a crise na Venezuela, onde pelo menos 75 pessoas morreram em quase três meses de protestos, fosse resolvida pacificamente.

"Recebi publicamente uma proposta de negociação, a minha renúncia em troca do retorno da Venezuela à OEA", disse Almagro no Twitter, em resposta ao pedido de Maduro.

"Eis a minha resposta: vou renunciar à secretaria-geral da OEA assim que realizarem eleições nacionais livres e justas, sob observação internacional e sem inabilitados", acrescentou.

Ele também adicionou como condição a libertação de "todos os presos políticos listados pelo Fórum Penal da Venezuela" e anistia aos exilados; reconhecimento de poderes da Assembleia Nacional e a independência dos poderes judiciais e eleitorais; a abertura de um canal humanitário; e que os assassinos dos manifestantes fossem julgados.

A oposição acusa Maduro de conduzir o país a uma ditadura, atrasar as eleições, encarcerar ativistas e de má gestão que culminou na elevada inflação e a escassez de bens básicos.

Líderes da resistência pediram que seus seguidores mantenham os constantes protestos contra o governo nas ruas. Neste sábado centenas de pessoas marcharam em direção a uma base aérea no leste de Caracas, perto da qual dois jovens foram mortos a tiros por soldados, em meio à forte repressão aos protestos.

O presidente socialista acusa seus oponentes de buscar sua derrubada com o apoio dos EUA e, como uma solução para a crise, convocou uma assembleia constituinte com poderes para reformar a Constituição, ato considerado ilegal.

Almagro também estabeleceu como condição para sua renúncia a fim do processo para reformar a constituição da Venezuela. "Infelizmente, são necessárias muitas coisas para libertar a Venezuela", disse ele.