França diz que relatório comprova ataque com gás sarin na Síria em abril

PARIS (Reuters) - A França afirmou nesta sexta-feira que um relatório da agência mundial de armas químicas que afirma que o gás nervoso sarin foi usado em um ataque na Síria em abril é "inequívoco", e que os membros da organização devem agir com firmeza em reação às revelações.

Depois de entrevistar testemunhas e testar amostras, uma missão investigativa da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) concluiu que "um grande número de pessoas, algumas das quais morreram, foram expostas a sarin ou a uma substância como o sarin", segundo o relatório.

"As conclusões deste relatório são incontestáveis", disse o Ministério das Relações Exteriores francês em comunicado. "A Opaq e seus membros devem assumir suas responsabilidades e condenar, nos termos mais fortes, esta violação intolerável do regime de não proliferação".

O ataque de 4 de abril, no qual dezenas de pessoas foram mortas na cidade de Khan Sheikhoun, localizada em Idlib, província do norte sírio, foi o mais letal da guerra civil do país em mais de três anos. 

Agora uma investigação conjunta da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Opaq, pode analisar o incidente para determinar de quem é a culpa.

Serviços de inteligência ocidentais acusaram o governo do presidente da Síria, Bashar al-Assad, pelo ataque, mas autoridades sírias vêm negando repetidamente o uso de toxinas proibidas no conflito.

A Rússia, principal apoiadora de Assad, disse nesta sexta-feira que as descobertas da Opaq se basearam em indícios duvidosos.

Desde a posse do presidente Emmanuel Macron a França vem buscando uma cooperação mais estreita com Moscou, especialmente no tocante à Síria, e disse que o diálogo com os russos sobre o cumprimento de uma resolução de 2013 do Conselho de Segurança da ONU para evitar o uso de armas químicas é uma de suas prioridades.

O ataque de Khan Sheikhoun motivou os Estados Unidos a dispararem mísseis contra uma base aérea síria que os norte-americanos disseram ter sido empregada para lançar a operação. A França disse que qualquer novo ataque seria um "limite" que poderia provocar ataques aéreos franceses unilaterais.

"Aqueles que provocaram as atrocidades de Khan Sheikhoun e outros ataques com armas químicas devem enfrentar a justiça por seus crimes", disse a chancelaria.

(Por John Irish)

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