Com poucos compromissos sobre Brexit, ministro diz que Reino Unido pode sobreviver sem acordo

Por Alastair Macdonald e Andrew MacAskill

BRUXELAS/LONDRES (Reuters) - A União Europeia e o Reino Unido ofereceram poucos compromissos na primeira rodada de conversas sobre o Brexit, que terminou nesta quinta-feira, e a libra caiu por preocupações de que ministros britânicos estavam preparados para ir embora sem um acordo de divórcio.

Enquanto negociadores apresentavam suas discordâncias em Bruxelas, a primeira-ministra Theresa May se encontrou com chefes de companhias em casa, com um grupo de empregadores dizendo que seu governo precisava se engajar em discussões “sustentadas e estruturadas” com empresas sobre o Brexit e evitar uma saída repentina do bloco.

Separadamente, acadêmicos alertaram sobre custos “amplos, prejudiciais e penetrantes” caso o Reino Unido não consiga alcançar ao menos um acordo comercial transitório com a UE antes da saída do bloco programada para menos de dois anos a partir de agora.

Na Comissão Europeia, os negociadores estabeleceram suas posições de abertura em quatro dias de conversas que confirmaram alguns pontos em comum.

Mas também confirmaram diferenças sobre como proteger o futuro de cidadãos expatriados, enquanto incerteza persistia sobre um acordo financeiro e o futuro da fronteira intra-irlandesa – que se tornará uma fronteira externa para a UE em 2019.

O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, disse que há “uma divergência fundamental” sobre como proteger os direitos dos cidadãos da UE vivendo no Reino Unido e de britânicos nos 27 países restantes da UE após o Brexit.

Ele disse que tribunais europeus devem garantir direitos dos cidadãos após o Brexit.

“Qualquer referência aos direitos europeus implicam supervisão do Tribunal de Justiça da União Europeia”, disse durante entrevista coletiva conjunta com o secretário britânico do Brexit, David Davis.

O Reino Unido, no entanto, disse que pessoas votaram no referendo sobre o Brexit no ano passado para terminar com uma soberania compartilhada da UE, e que seus juízes logo devem, portanto, ter jurisdição.

Barnier também pediu maior clareza sobre a posição britânica no acordo financeiro. Bruxelas disse que Londres deve pagar uma parte do dinheiro que a UE se comprometeu a gastar quando o Reino Unido era um membro. O executivo da UE sugeriu um valor aproximado de cerca de 60 bilhões de euros.

Davis disse que os encontros em Bruxelas forneceram “muitas coisas sobre as quais se pode ser positivo”. Mas quando perguntado se o Reino Unido irá aceitar o princípio de um pagamento líquido de Londres para Bruxelas - e não vice-e-versa como alguns ministros britânicos haviam sugerido – ele não deu resposta direta.

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