Governo terá quórum no plenário da Câmara na quarta-feira, diz Padilha

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo terá 342 deputados em plenário para a sessão de quarta-feira que votará a autorização para abrir um processo contra o presidente Michel Temer, mas não pode garantir que terá o número suficiente na hora de abrir a votação, disse o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, nesta terça-feira.

"Nós acreditamos que deve ter no painel 342 presentes, nisso nós acreditamos. A dúvida que existe é se teremos na hora da votação os 342 presentes, isso depende muito da oposição. Se a oposição obstruir não vai acontecer", disse Padilha.

O ministro admitiu que o governo prefere ver o assunto resolvido já na quarta-feira, mas lembrou que a oposição tem o direito à obstrução. Voltou, no entanto, ao discurso de que a obrigação de colocar o quórum e reverter a vitória do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é dos oposicionistas.

"Nós temos em vigor a decisão da CCJ pela rejeição da denúncia. Então nós estamos tranquilos. A oposição que tenta reverter esse resultado é que terá que colocar quórum, terá que colocar os 342 votos", disse o ministro.

Padilha confirmou, ainda, que todos os ministros que hoje são também deputados irão voltar à Câmara amanhã para votarem contra a abertura do processo, com exceção do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que está coordenando a ação das Forças Armadas no Rio de Janeiro.

"Nesse caso não se trata de dar o empenho que o governo e os ministros procuram dar nas votações. O simbolismo da votação se reveste também de ter os ministros no plenário, fazendo as conversas que normalmente se faz e exercendo o direito ao voto", afirmou Padilha.

De qualquer forma, o governo garante mais 11 votos favoráveis em plenário.

Apesar do discurso oficial, o Palácio do Planalto tem trabalhado arduamente não apenas para garantir votos favoráveis ao presidente, mas para garantir o quórum desta quarta-feira. A avaliação do Planalto é que é preciso encerrar a questão da denúncia o mais rapidamente possível e tentar tocar adiante a agenda de reformas para mostrar que o governo ainda consegue trabalhar.

De acordo com um parlamentar da base, o governo precisa tentar encaminhar a reforma da Previdência de preferência antes que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente a segunda denúncia contra o presidente. Não há ainda nenhuma previsão sobre quando essa denúncia será feita, mas ela é dada como certa e deve ser apresentada antes da saída de Janot no cargo, na metade de setembro.

De acordo com o deputado Beto Mansur (PRB-SP), o governo tem hoje 280 votos favoráveis e ainda existem 60 indecisos. O presidente tem se empenhado pessoalmente em tentar virar votos e conquistar indecisos.

Na agenda desta terça-feira, Temer incluiu 11 parlamentares, a maior parte deles aparece na contabilidade do governo como indecisos. Além disso, o presidente almoçou com 52 deputados da bancada ruralista.

A intenção do governo é ter pelo menos 300 votos favoráveis em plenário.

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