Venezuela inaugura Assembleia Constituinte apesar de críticas

Por Eyanir Chinea e Deisy Buitrago

CARACAS (Reuters) - A Venezuela empossou nesta sexta-feira uma Assembleia Constituinte que deve reescrever a Constituição e dar novos e vastos poderes ao governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), desafiando uma condenação mundial segundo a qual o novo organismo mina as liberdades democráticas.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, diz que a assembleia de 545 membros, eleita no domingo em uma votação boicotada pela oposição, irá levar paz a uma nação assolada por protestos violentos e uma crise econômica profunda.

A assembleia elegeu unanimemente líderes conhecidos do PSUV para sua liderança – a ex-ministra das Relações Exteriores Delcy Rodríguez atuará como presidente, e o ex-vice-presidente Aristóbulo Istúriz como primeiro-vice-presidente.

"Esta Assembleia Nacional Constituinte, convocada pelo presidente Nicolás Maduro, está formalmente empossada", disse Delcy Rodríguez, que se vestiu de vermelho e fez um discurso inaugural em homenagem ao falecido presidente Hugo Chávez, a quem se referiu como "nosso eterno comandante".

"Não há crise humanitária aqui, o que temos é amor, o que temos é uma crise dos fascistas de direita", completou.

A entidade irá funcionar no mesmo complexo palaciano do centro de Caracas que abriga a Assembleia Nacional de maioria opositora, que pode ser dissolvida pela todo-poderosa Constituinte.

Os dois organismos devem realizar sessões simultâneas, separados por um pátio de pedras ornamentais.

Governos que vão de vizinhos latino-americanos aos Estados Unidos e à União Europeia rejeitaram a votação, e o Vaticano fez um apelo de última hora para que as autoridades suspendessem a assembleia.

O Brasil vai pedir a suspensão da Venezuela do Mercosul --bloco formado também por Argentina, Uruguai e Paraguai-- até que a democracia retorne ao país vizinho, disse nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Autoridades do Partido Socialista convergiram no Congresso em uma marcha festiva durante a qual carregaram retratos do líder independentista Simón Bolívar e de Chávez, cuja imagem foi retirada pelos parlamentares opositores quando assumiram a legislatura em janeiro de 2016.

"A Assembleia Constituinte é paz, amor e lealdade", disse Raquel Rodriguez, servidora pública de 57 anos que acompanhou a marcha.

Os delegados da assembleia cantaram o hino nacional seguindo uma gravação da voz de Chávez.

A eleição de domingo levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a rotular Maduro de ditador, um termo que a oposição vem empregando há tempos para descrever o líder impopular.

Os protestos contra a inauguração da assembleia foram relativamente modestos. Há quatro meses, manifestantes enfrentam forças de segurança, muitas vezes formando barricadas. Pelo menos 125 pessoas foram mortas nestes protestos.

(Reportagem adicional de Eyanir Chinea e Enrique Pretel)

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