Erdogan diz que Turquia tratará de curdos na Síria após reforma nas Forças Armadas

Por Dominic Evans e Orhan Coskun

ISTAMBUL (Reuters) - Dias depois de uma reformulação nos altos escalões das Forças Armadas da Turquia, o presidente Tayyip Erdogan voltou a alertar para ações militares contra combatentes curdos na Síria que podem atrapalhar a batalha contra o Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos.

Milícias curdas estão encabeçando o ataque contra os militantes radicais no bastião sírio de Raqqa, onde o Estado Islâmico planejou ataques em todo o mundo nos últimos três anos.

    Mas o apoio dos EUA aos combatentes curdos da milícia curda YPG na Síria enfureceu a Turquia, que vê sua força crescente nos campos de batalha como uma ameaça de segurança devido a uma insurgência de décadas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) dentro de suas fronteiras.

Nas últimas semanas houve trocas frequentes de disparos de foguetes e artilharia entre forças turcas e combatentes da YPG, que controlam parte da fronteira do noroeste sírio.

A Turquia, que tem o segundo maior Exército da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), só atrás dos EUA, reforçou a seção da fronteira em questão no final de semana com tanques e artilharia, e Erdogan disse que sua nação está pronta para agir.

"Não deixaremos a organização separatista em paz nem no Iraque, nem na Síria", afirmou Erdogan em um discurso feito no sábado em Malatya, cidade do leste do país, referindo-se à YPG na Síria e a bases do PKK no Iraque. "Sabemos que, se não drenarmos o pântano, não conseguiremos nos livrar das moscas."

A YPG nega as alegações turcas de laços com militantes turcos dentro da Turquia, dizendo que só estão interessadas em um autogoverno na Síria e alertando que qualquer ataque turco irá desviar seus combatentes da luta contra o Estado Islâmico, da qual participam em aliança com forças árabes locais.

    Os comentários de Erdogan vieram na esteira da indicação de três novos líderes para Exército, Aeronáutica e Marinha turcas na semana passada --trocas que analistas e autoridades disseram terem visado ao menos parcialmente preparativos para uma eventual campanha contra a YPG.

    Forças turcas varreram o norte da Síria no ano passado para tomar territórios do Estado Islâmico, ao mesmo tempo isolando o nordeste sírio, controlado pelos curdos, do bolsão curdo de Afrin, situado mais a oeste. Com isso elas evitaram um controle curdo sobre quase toda a extensão da fronteira --o pior cenário aventado por Ancara.

Os confrontos recentes se concentraram nas cidades árabes de Tal Rifaat e Minnigh, perto de Afrin, que estão nas mãos da YPG e de combatentes aliados.

Erdogan afirmou que a incursão militar realizada por seu país no ano passado foi um golpe nos "projetos terroristas" na região e prometeu mais ações. "Realizaremos manobras novas e importantes em breve", disse.

    A preocupação de Washington de evitar qualquer confronto que desvie as forças curdas atacando Raqqa pode ajudar a conter Ancara, mas uma fonte do governo turco disse que as alterações da semana passada na liderança militar prepararam o terreno.

(Reportagem adicional de Tulay Karadeniz e Dirimcan Barut em Ancara)

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