Diplomacia não tem conseguido desarmar disputa de fronteira entre Índia e China, dizem fontes

Por Sanjeev Miglani

NOVA DÉLHI (Reuters) - Os esforços diplomáticos da Índia para encerrar um impasse de sete semanas com a China emperraram, disseram pessoas a par das conversas, o que levou a mídia estatal chinesa a apregoar "contramedidas inevitáveis" na fronteira sem demarcação.

A China vem insistindo para que a Índia retire unilateralmente suas tropas do planalto remoto de Doklam, reivindicado tanto por Pequim quanto pelo Butão, um aliado de Nova Délhi.

Mas a China não respondeu à sugestão indiana, feita em conversas, de fazer seus soldados recuarem 250 metros em troca, disse uma fonte com laços próximos com o governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Nas manobras diplomáticas discretas que transcorreram longe da vista do público, os chineses fizeram uma contraproposta de recuar 100 metros, caso recebam autorização de autoridades governamentais de primeiro escalão.

Mas não houve reação desde então, a não ser pelos alertas crescentes da China a respeito de uma escalada na região, que chama de Donglang.

"É um impasse, não há movimentação nenhuma agora", disse uma segunda fonte com conhecimento das conversas.   

Em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores, que vem exortando a Índia reiteradamente a recuar, não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre o estado das conversas.

Tropas indianas entraram em Doklam em meados de junho para impedir que uma equipe de construção chinesa ampliasse uma estrada que, segundo os militares da Índia, deixará o Exército chinês perigosamente perto de seu nordeste.

O impasse surgido desde então, dizem especialistas militares, é o mais sério desde que os dois lados mediram forças nos anos 1980, com milhares de soldados de parte a parte, em outro ponto da fronteira de 3.500 quilômetros.

A China vem evitando entrar em guerra na esperança de que Nova Délhi seja sensata, afirmou nesta terça-feira o jornal estatal chinês Global Times, que não tem poupado comentários hostis.

A crise na fronteira é a culminação de um ano de deterioração nos laços diplomáticos entre os gigantes asiáticos, embora o comércio entre as duas economias de crescimento rápido esteja crescendo aceleradamente.

A Índia passou a se preocupar com as ligações chinesas com seu arquirrival Paquistão, encarando seu corredor comercial através da Caxemira como uma infração de sua reivindicação sobre a totalidade da região.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard, em Pequim, e Fayaz Bukhari, em Srinagar)

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