Em meio à turbulência política venezuelana, estatal PDVSA é cada vez mais sucateada

Alexandra Ulmer e Marianna Parraga

Em Caracas

  • Marco Bello/Reuters

Para sobreviver aos meses de protestos nas ruas e com a economia em queda livre, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está tentando transformar a empresa estatal de petróleo PDVSA em um bastião de apoio, degradando ainda mais uma empresa já vulnerável, de acordo com fontes próximas da empresa.

As indicações de políticos estão ganhando força às custas de veteranos executivos do petróleo, enquanto os funcionários estão sob crescente pressão para participar de comícios do governo e votar nos candidatos do governo.

A ênfase crescente na política em detrimento do desempenho está contribuindo para a rápida deterioração da indústria petrolífera da Venezuela, que abriga as maiores reservas de petróleo do mundo, e para a fuga de cérebros na empresa.

Em entrevistas com dezenas de funcionários e ex-funcionários da PDVSA, executivos de petróleo estrangeiros e empreiteiros indicam que a maior empresa da Venezuela entra em colapso. "Tudo é uma bagunça e temos que aplaudir", disse um funcionário da PDVSA, que pediu anonimato por medo de retaliação. Recentemente, foi solicitado que os funcionários fizessem atas explicando os motivos pelos quais estariam faltando em comícios políticos.

Após quatro meses de protestos contra Maduro, a nova liderança da empresa está pressionando cada vez os empregados para que eles participem de atos públicos do Partido Socialista. Gerentes disseram a seus empregados que eles seriam demitidos se não votassem na eleição da Assembleia Constituinte proposta por Maduro e que não é reconhecida por vários países.

A produção de petróleo da Venezuela está a caminho de fechar 2017 na menor quantidade dos últimos 25 anos, e o governo socialista ainda depende fortemente de PDVSA como seu motor financeiro. Isto deixa a gerência em um equilíbrio precário e fontes afirmam que facções políticas são cada vez mais acirradas em lutas de poder dentro da empresa.

Uma equipe de altos diretores nomeados em janeiro deixou o presidente da PDVSA, o engenheiro Eulogio Del Pino, impotente no comando da empresa, segundo duas fontes de alto nível da PDVSA e do governo que falaram sob condição de anonimato. Enquanto isso, a infraestrutura da empresa está desmoronando, as sondas ativas são historicamente baixas e as refinarias estão operando a uma fração de sua capacidade.

Funcionários do edifício-sede reclamam que muitos elevadores estão fora de serviço, os banheiros não têm papel higiênico e carros estão danificados no estacionamento. Papel e caneta, escassos na empresa, são usados para fazer cartazes para fins políticos. O governo há muito tem negado acusações de má gestão, dizendo que as críticas são parte de um a campanha de direita e da mídia para difamar a Venezuela e minimizar o apoio PDVSA para apoiar programas sociais. A PDVSA e os ministérios do Petróleo e de Informações não responderam aos pedidos de resposta feitos pela Reuters.

Luta de poder

Del Pino, admirado por analistas de petróleo apesar da queda da produção durante a sua presidência, permanece no comando em meio a uma grande perda de altos funcionários desde janeiro. No entanto, o ministro do petróleo, Nelson Martínez, presidente da Citgo refinaria e aliado próximo de Maduro, negocia cada vez mais acordos e e participa de congressos petrolíferos em nome da Venezuela.

A chegada de executivos inexperientes e gerentes de nível médio é notória para diretores de petrolíferas estrangeiras, que se queixam de passar horas à espera de representantes da PDVSA e do atraso na tomada de decisões.

"Na maioria das vezes e-mails e telefonemas para PDVSA permanecem sem resposta. Surpreende muito a pouca idade dos gestores e a falta de treinamento", disse um representante de uma empresa estrangeira que tem um contrato de fornecimento com a PDVSA. Ele acrescentou que o caos gerencial e operacional é cada vez pior, e hoje o tempo de espera para carregar um navio é de 30 a 40 dias, em comparação com 2 a 3 dias que levava antes.

Se os Estados Unidos decidirem concretizar a ameaça de impor sanções ao setor de petróleo na Venezuela, a PDVSA terá ainda mais problemas para reagir.
 

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