ELN afirma ter matado refém russo e põe em risco negociações de paz na Colômbia

Por Luis Jaime Acosta e Helen Murphy

SELVAS DA COLÔMBIA (Reuters) - A guerrilha colombiana ELN afirmou que o cidadão russo-armênio que era seu prisioneiro há seis meses foi morto ao tentar fugir em abril, uma revelação que pode colocar em risco as negociações de paz com o governo colombiano.

Em uma rara entrevista, o comandante do Exército de Libertação Nacional, último grupo guerrilheiro ativo na Colômbia, afirmou que resgates de sequestros eram necessários para manter seus soldados e que a paz será impossível sem recursos para alimentar e vestir os guerrilheiros.

A ELN capturou Assen Voskanyan em novembro. O grupo alegou que o russo estava recolhendo sapos venenosos ameaçados de extinção na floresta no departamento de Choco e o acusa de estar tentando contrabandear vida selvagem do país para o exterior.

Depois de seu longo cativeiro Voskanyan foi morto quando tentou pegar uma granada de mão em uma tentativa de escapar, disse o comandante da ELN, que deu apenas seu nome de guerra, Yerson.

"Ele está morto", disse à Reuters em uma área remota ao longo das margens de um rio que assiste a cenas constantes de combates entre os rebeldes de esquerda, as forças do governo e milícias paramilitares de direita.

"A granada explodiu, vários de nossos rapazes foram feridos. Ele fugiu, foi baleado e morto. O que fazer com seu corpo será negociado", disse Yerson. Ele não apresentou nenhuma evidência para confirmar o que contou.

Uma outra pessoa com conhecimento do caso confirmou depois que Voskanyan está morto. A Reuters não pode confirmar de forma independente as circunstâncias da morte de sua morte.

O governo colombiano afirma não saber nada sobre o caso e as últimas informações que teve teriam vindo de afirmações da ELN de que Voskanyan havia fugido.

Os sequestros são um dos pontos centrais das discussões sobre um acordo de paz que estão sendo discutidas em Quito, capital do Equador. Como resultado, a morte do cidadão russo pode complicar a tentativa de um acordo.

Yerson e suas tropas dizem não ser otimistas sobre a possibilidade de que se chegue a um acordo de paz porque nenhum dos dois lados tem cedido em relação aos sequestros.

A ELN tem se recusado a parar com os sequestros, com os ataques a bomba e com as extorsões a empresas estrangeiras de petróleo e mineração durante as conversações de paz. O governo diz que não vai avançar no acordo enquanto a ELN não abandonar as práticas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos