ONU alerta para possível catástrofe em Mianmar por violência contra rohingyas

Por Wa Lone e Simon Lewis

YANGON/SHAMLAPUR, Bangladesh (Reuters) - Quase 150 mil muçulmanos rohingyas fugiram de Mianmar para Bangladesh em menos de duas semanas, disseram autoridades nesta quarta-feira, depois que o secretário-geral da ONU alertou para o risco de uma limpeza étnica no país que pode desestabilizar a região como um todo.

A líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, culpou "terroristas" por "um enorme iceberg de desinformação" sobre a violência na região de Rakhine, mas não mencionou o êxodo dos rohingyas, iniciado após a irrupção dos conflitos no Estado do noroeste em 25 de agosto.

Suu Kyi está sendo cada vez mais pressionada por países com grandes populações muçulmanas, incluindo a Indonésia, onde milhares de pessoas lideradas por grupos islâmicos realizaram uma manifestação em Jacarta nesta quarta-feira para exigir a suspensão dos laços diplomáticos com Mianmar, país de maioria budista.

Em uma carta rara ao Conselho de Segurança da ONU enviada na terça-feira, o secretário-geral António Guterres expressou o temor de que a violência em Rakhine degenere em uma "catástrofe humanitária".

Repórteres da Reuters presentes na região empobrecida de Cox's Bazar, na vizinha Bangladesh, testemunharam a chegada de levas de barcos ocupados por rohingyas exaustos chegando nos arredores do vilarejo fronteiriço de Shamlapur.

De acordo com as estimativas mais recentes divulgadas por funcionários da ONU operando em Cox's Bazar, em 12 dias já chegaram 146 mil pessoas, elevando para 233 mil o número total de rohingyas que buscaram refúgio em Bangladesh desde outubro.

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