Fome global aumenta pela primeira vez em mais de uma década, diz ONU

Por Alex Whiting

ROMA (Thomson Reuters Foundation) - Os níveis da fome em todo o mundo aumentaram pela primeira vez em mais de uma década e hoje afetam 11 por cento da população global, um desdobramento de conflitos, a mudança climática e os problemas econômicos, disseram agências da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.

No ano passado 815 milhões de pessoas passaram fome, 38 milhões a mais do que em 2015, informaram as cinco agências na primeira avaliação global feita desde que governos estabeleceram a meta internacional de eliminar a fome e a desnutrição até 2030, um dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O número de pessoas afetadas pela fome começou a crescer em 2014, mas esta é a primeira vez em mais de dez anos em que a proporção da população global passando fome aumenta.

Cerca de 489 milhões de famintos estão vivendo em países afetados por conflitos.

"Ao longo da última década, os conflitos aumentaram dramaticamente em número e se tornaram mais complexo e intratáveis em sua natureza", disseram os diretores das cinco agências da ONU no relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo de 2017.

"Isto acionou alarmes que não podemos nos dar o luxo de ignorar: não acabaremos com a fome e todas as formas de desnutrição até 2030 a menos que abordemos todos os fatores que minam a segurança alimentar e a nutrição", afirmaram.

A fome atingiu partes do Sudão do Sul no início deste ano, e existe um risco alto de voltar ao país e se desenvolver em outros afetados pelo conflito, a saber, o nordeste da Nigéria, a Somália e o Iêmen, segundo as agências.

David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA), descreveu as cifras mais recentes como "uma acusação contra a humanidade".

"Com todos os sucessos da tecnologia e a riqueza, com certeza deveríamos estar indo na outra direção", disse ele no lançamento do relatório.

A proporção de crianças cujo crescimento foi prejudicado pela fome diminuiu de 29,5 por cento em 2005 para 22,9 por cento em 2016. Agora, cerca de 155 milhões delas com menos de 5 anos estão afetadas.

"Vemos que há um declínio... também sabemos que o declínio não é tão rápido quanto gostaríamos... para atingir as metas dos ODS", disse Victor Aguayo, diretor de nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês). 

O relatório foi produzido pelo PMU, o Unicef, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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