"Não me preocupo minimamente com isso", diz Temer sobre denúncias

Lisandra Paraguassu

Da Reuters, em Nova York

  • Beto Barata/PR

    Presidente Michel Temer

    Presidente Michel Temer

O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira (20) em entrevista exclusiva à Reuters que as acusações de corrupção que recaem sobre ele precisam ser apuradas, mas que não tem preocupação com isso.

"O que está acontecendo é isso: uma oposição radical. Ela leva às últimas consequências. Mas volto a dizer: essas coisas têm que ser apuradas e eu não me preocupo minimamente com isso", afirmou durante entrevista ao editor-chefe global da Reuters, Steve Adler, no evento Reuters Newsmaker, em Nova York.

Temer disse que está sendo culpado por associação.

"O que aconteceu comigo foi exatamente isso. Você é presidente da República, da Câmara, vice-presidente, presidente de um partido, você encontra pessoas que tiram fotos com você, recebe bilhetes, pessoas convivem com você, e aí praticam um ilícito qualquer, aí você também é delituoso. Isso está acontecendo com muita frequência no Brasil", disse.

O presidente afirmou que a corrupção está sendo combatida no país e as instituições estão funcionando normalmente, tanto que quando há acusações são apuradas. "As instituições estão funcionando regularmente. O Judiciário funciona regulamente, o Legislativo, o Ministério Público. Tanto que quando há essas afirmações elas são apuradas", disse, lembrando em seguida que ele mesmo é investigado.

"Até no meu caso você sabe que há manifestações. Mas essa matéria está toda no Judiciário. Claro que eu digo aqui que são inverdades absolutas, com um certo desejo de que o Brasil está nessa ou aquela posição na corrupção. Mas o fato é que a corrupção está sendo combatida", acrescentou.

Esta foi a primeira vez que Temer se referiu diretamente às investigações contra si abertas pela Procuradoria-Geral da República depois da segunda denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal na semana passada, por obstrução de Justiça e organização criminosa. Durante os dias em Nova York, o presidente havia evitado as perguntas dos jornalistas.

Perguntado se concordava com a tese de que talvez fosse necessária uma grande anistia aos envolvidos em casos de corrupção para que o país pudesse ir adiante, Temer negou.

"Eu acho que devem ser apurados e apurados até o seu final. Verificar que são realmente os praticante de ilícitos e quem não são. Eu acho que a Justiça tem que continuar funcionamento no Brasil, como funciona, se não tira a credibilidade. Se a gente disser agora 'nós vamos fazer uma anistia plena, geral e irrestrita para todos aqueles que eventualmente cometerem ilícitos', isso tira a credibilidade institucional", afirmou.

Durante o evento, o presidente disse ainda que o PMDB possivelmente terá candidato na eleição presidencial no ano que vem, ou fará coligação. Temer garantiu que o seu partido terá uma presença política "muito forte".

O presidente aproveitou para criticar a oposição, dizendo que o papel dela deveria ser o de fiscalizar o Executivo. No Brasil, no entanto, disse, a oposição tem uma concepção de que se não está no governo tem que destruir o governo.

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