Trump culpa porto-riquenhos por resposta demorada após furacão

Por Gabriel Stargardter e Dave Graham

San Juan, Porto Rico

  • AFP/Ricardo Arduengo

    Túmulos no cemitério municipal de Lares foram deslocados pela passagem do furacão

    Túmulos no cemitério municipal de Lares foram deslocados pela passagem do furacão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou neste sábado (30) diretamente os porto-riquenhos pela lenta recuperação após o furacão Maria, depois que críticos reclamaram que a resposta de seu governo à situação no território norte-americano era insuficiente.

Onze dias após a tempestade devastadora destruir as redes elétrica, de água e de comunicações, mais da metade dos 3,4 milhões de pessoas na ilha não tem acesso a água potável e 95% permanece sem energia, de acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

"Eu sou uma bomba relógio à beira da explosão", disse Adeline Vazquez, 53, que precisa de um ventilador para problemas respiratórios. O prédio onde mora, na cidade ocidental de Mayaguez, não tem combustível suficiente para manter um gerador 24 horas por dia.

Maria, a tempestade mais poderosa que atingiu Porto Rico em quase 90 anos, destruiu estradas, dificultando o fornecimento de comida, água e combustível em toda a ilha. O furacão matou pelo menos 16 pessoas, de acordo com o número oficial de mortes.

Trump, que planeja visitar a ilha na terça-feira, disparou uma série de tuítes irritados de seu clube de golfe privado em Nova Jersey, contra a prefeita de San Juan, capital e maior cidade da ilha.

Na sexta-feira, Carmen Yulin Cruz criticou o governo de Trump e pediu por mais ajuda. Seus pedidos tiveram ampla cobertura televisiva nos EUA.

"Essa liderança fraca pela prefeita de San Juan e outros em Porto Rico, que não conseguem ajudar seus trabalhadores", disse Trump, um republicano. "Eles querem que tudo seja feito para eles, enquanto deveria ser um esforço da comunidade".

Trump --que muitas vezes usa o Twitter para atacar quando seu governo está sob pressão-- acusou Cruz de ter dado ouvidos aos democratas para ser "desagradável com o presidente" e culpou a mídia por não mostrar o "trabalho incrível" de resposta dos EUA.

Carmen Cruz, que está vivendo em um abrigo depois que sua casa foi destruída pelo furacão, disse que os funcionários municipais estavam trabalhando o mais duro possível. Ela também disse que, depois de suas queixas, o fornecimento de água e comida aumentou.

"Na verdade, eu estava pedindo ajuda, não estava falando nada sobre o presidente", disse Cruz à rede de televisão norte-americana MSNBC. "Eu não vou me distrair com pequenos comentários, pela política, por pequenas questões."

Os comentários de Trump foram rapidamente condenados.

"Os tuítes desta manhã são desprezíveis, são deploráveis, não são de tipo estadista", disse a presidente da Câmara Municipal de Nova York, Melissa Mark-Viverito, uma democrata nascida em Porto Rico.

Mais tarde, Trump amenizou seus comentários. "Todos nós devemos estar unidos para dar assistência a todos os que sofrem em Porto Rico e em outros lugares na sequência deste terrível desastre", afirmou.

 

 

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