Veterano da Marinha que sobreviveu no Afeganistão morre em ataque em Las Vegas

Por Chris Kenning

(Reuters) - Alguns meses antes de ser morto no ataque em massa a tiros mais mortal na história moderna dos Estados Unidos, Christopher Roybal tentou explicar o resultado do combate no Afeganistão daqueles que serviram nas forças militares norte-americanas.

“Como é ser alvo de tiros? É um pesadelo que nenhuma quantidade de remédios, nenhuma quantidade de terapia e nenhuma quantidade de conversas bêbado com seus colegas veteranos de guerra será capaz de escapar”, escreveu o veterano da Marinha no Facebook em julho.

Após sobreviver 11 meses no Afeganistão, Roybal, de 28 anos, foi morto na noite de domingo ao lado de 58 outras pessoas durante um ataque a tiros por um homem de Nevada que abriu fogo de uma janela do 32º andar do hotel Mandalay Bay contra uma multidão em um festival de música country.

    “Eu tive o pior sentimento. Sua guarda estava baixa. Isto não era onde ele esperava que algo de ruim acontecesse com ele”, disse sua esposa, Dixie Roybal, nesta terça-feira à Reuters.

    Ela havia ficado em casa em Corona, na Califórnia, enquanto seu marido celebrava o aniversário com a mãe, Debby Allen, em Las Vegas.

Roybal serviu na Marinha de 2007 a 2012 e ficou no Afeganistão de julho de 2011 a maio de 2012, segundo registros militares.

    Sua esposa disse que embora o Afeganistão ainda lhe assombrasse, ele possuía um espírito aventureiro e conseguiu encontrar felicidade na vida.

“Ele estava sempre indo para algum lugar, fazendo algo, chamando amigos”, disse. “Ele amava música em geral. Ele sempre estava cantando algo. Ele era o melhor no karaokê”.

    Entre as diversas tatuagens de Roybal, havia uma em seu braço celebrando a cidade de Las Vegas, onde havia morado, disse a esposa. Após deixar as forças militares, ele trabalhou em uma academia chamada Crunch Fitness, em Corona, um emprego que amava.

Sua esposa disse que eles se encontraram pouco após o ensino médio e então se apaixonaram e se casaram. Eles não tinham filhos.

No domingo, Roybal e sua mãe foram ao festival Route 91 Harvest, próximo ao hotel em que estavam. Conforme o cantor de música country Jason Aldean se apresentava, uma série de tiros de alta potência foram disparados, e Roybal e sua mãe se separaram no caos que se estabeleceu.

    Allen estava inquieta para encontrar seu filho e publicou no Facebook naquela noite: “Não consigo encontrar Christopher Roybal em lugar nenhum. Ele não está atendendo nenhum telefonema”.

    Quando finalmente soube da trágica notícia, ela escreveu: “Hoje é o dia mais triste da minha vida. Meu filho Christopher Roybal foi assassinado na noite passada em Las Vegas. Meu coração está partido em um bilhão de pedaços”.

Na Califórnia, Dixie Roybal disse ter tentado freneticamente encontrar seu marido por mensagens de texto e ligações. Foi na segunda-feira que soube que seu marido havia sido baleado no peito e que seu nome finalmente apareceu na lista oficial de mortos.

    “Isto é algo que jamais deveria ter acontecido”, disse. “Isto é horrível”.

A família de Roybal planejou levar seu corpo de volta para casa na Califórnia. Uma página de financiamento coletivo na GoFundMe havia arrecadado mais de 23 mil dólares em 19 horas para gastos com funeral.

    Matthew Austin, que se alistou na Marinha com Roybal quando eram “somente garotos”, disse no Facebook estar nervoso pela morte do amigo. “Parte meu coração e me enfurece que um veterano possa voltar pra casa da guerra sem ferimentos e eventos como este ocorram”, declarou.

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