Evo Morales lidera homenagens a Che Guevara 50 anos após execução

Por Daniel Ramos

VALLEGRANDE, Bolívia (Reuters) - Milhares de pessoas se reuniram nesta segunda-feira em uma cidade pequena do sul da Bolívia na qual o líder da revolução cubana Ernesto "Che" Guevara foi executado por soldados bolivianos apoiados pela CIA 50 anos atrás.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, um dos últimos líderes de esquerda em uma região que vem guinando para a direita política, acampou com um saco de dormir e uma barraca e deu as boas-vindas a dignitários das aliadas Cuba e Venezuela.

"Cinquenta anos depois, a lenda de Ernesto Che vive nos jovens, na luta inquestionável por igualdade e libertação", escreveu Morales no Twitter antes de um discurso programado.

Durante o final de semana, artistas, ativistas, veteranos da revolução cubana e descendentes de Che se reuniram para comemorar o herói revolucionário em Vallegrande, onde ele foi enterrado em um túmulo escondido e sem marcas em 1967. Seus restos mortais foram transferidos para Cuba 30 anos mais tarde.

O médico nascido na Argentina conheceu Fidel Castro no México, onde treinaram e compraram armas para se preparar para a revolução cubana antes de zarpar para a ilha em 25 de novembro de 1956 e iniciar a insurgência que derrubou o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos Estados Unidos, dois anos depois.

Che se tornou um dos homens mais importantes da força rebelde e mais tarde do governo revolucionário de Cuba, comandando o Banco Central e o Ministério das Indústrias.

Ele esperava reproduzir a revolução no Congo e depois na Bolívia, mas seu chamado às armas fracassou em grande parte e ele foi cercado por soldados treinados pelos EUA e pego em uma ravina perto de La Higuera em 8 de outubro de 1967.

No dia seguinte ele foi levado a Vallegrande, a 60 quilômetros de distância, e o então presidente boliviano, René Barrientos, ordenou sua execução, evitando um julgamento. Che tinha 39 anos de idade.

Seus restos foram exumados e reenterrados em Santa Clara, Cuba, em 1997, quando o comunismo cubano que ele ajudou a construir lutava para sobreviver na esteira do colapso da União Soviética.

Cerimônias comemorativas foram realizadas em Santa Clara no domingo, e o vice-presidente cubano, Ramiro Valdés, se juntou a Morales na Bolívia nesta segunda-feira.

Che continua sendo um herói anti-imperialista para muitos, especialmente na América Latina e na África. Em Cuba ele é lembrado por incentivar o trabalho voluntário sem remuneração trabalhando sem camisa em canteiros de obras e carregando sacos de açúcar.

Mas em sua cidade-natal de Rosario, na Argentina, alguns moradores vêm coletando assinaturas para remover sua estátua, um protesto contra o que veem como métodos violentos de Che para promover o comunismo e contra a falta de direitos humanos na Cuba atual.

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