Líder da Catalunha proclama independência, mas adia efeitos para negociar

Por Angus Berwick e Sonya Dowsett

BARCELONA (Reuters) - O líder catalão, Carles Puigdemont, proclamou a independência da região da Espanha nesta terça-feira, mas disse que seus efeitos serão suspensos para permitir conversas com o governo de Madri.

"Assumo o mandato de que a Catalunha deveria se tornar um Estado independente na forma de uma república... proponho suspender os efeitos da declaração de independência para realizar conversas para chegar a uma solução combinada", disse Puigdemont ao Parlamento regional em Barcelona.

Embora Puigdemont não tenha chegado a pedir o apoio explícito da Câmara para a declaração separatista em uma votação, uma medida que teria fechado as portas para uma solução negociada, a declaração mergulha a Espanha no desconhecido.

O governo espanhol já disse que qualquer declaração de independência unilateral seria ilegal, e prometeu agir para "restaurar a lei e a democracia" se o Parlamento da região autônoma e rica do nordeste do país for adiante.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, poderia adotar a medida inédita de dissolver a legislatura catalã e convocar novas eleições regionais, a chamada "opção nuclear".

Madri também pode pedir que os tribunais derrubem uma declaração de independência por esta ser inconstitucional.

Apesar dos clamores repetidos por diálogo com Madri, a proclamação torna uma solução negociada mais difícil, já que Rajoy afirmou que não conversará com os líderes catalães a menos que eles desistam dos planos de separação.

(Reportagem adicional de Rodrigo de Miguel, Paul Day, Blanca Rodriguez, Emma Pinedo, Jesus Aguado, Carlos Ruano e Alba Asenjo)

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