Vítimas de ataque a tiros em Las Vegas processam fabricante de peça que automatiza rifles

Por Tina Bellon

NOVA YORK (Reuters) - Uma ação representando as vítimas do massacre de Las Vegas, o pior ataque a tiros da história moderna dos Estados Unidos, foi aberta contra os fabricantes dos chamados bump stocks, peças que automatizam rifles e que o atirador usou para obter uma velocidade de disparo semelhante à de armas automáticas.

A ação civil coletiva proposta e apresentada em um tribunal estadual do condado de County, no Estado de Nevada, no final de semana e anunciada nesta terça-feira acusa a Slide Fire Solutions e outros fabricantes não identificados de negligência indutora de sofrimento emocional a milhares de pessoas que testemunharam ou ficaram feridas no ataque do dia 1º de outubro durante um festival de música country em Las Vegas.

    A ação civil apresentada por três moradores de Nevada que compareceram ao festival não diz respeito aos ferimentos que centenas de pessoas sofreram como resultado dos disparos, nem envolve as famílias das 58 pessoas mortas.

    As autoridades disseram que o fato de Paddock ter conseguido disparar centenas de balas por minuto durante 10 minutos do 32º andar de sua suíte de hotel influenciou muito o número alto de vítimas. O agressor de 64 anos se matou antes de a polícia invadir sua suíte.

A ação civil recebeu o apoio do Centro Brady de Prevenção da Violência com Armas, uma organização norte-americana sem fins lucrativos que defende o controle de armas.

    Os bump stocks permitem que rifles semiautomáticos funcionem de maneira semelhante a metralhadoras automáticas, que têm muitas restrições nos Estados Unidos.

    A Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) disse na semana passada que está aberta à regulamentação destes mecanismos, uma das raras ocasiões em que endossou uma nova medida de controle de armas.

A ação civil disse que Paddock usou um destes artefatos fabricado pela Slide Fire e alegou que a empresa não faz nada para impedir que eles sejam vendidos para pessoas às quais não se destinam.

    O processo acusa a Slide Fire de propagandear as peças de maneira enganosa fazendo parecer que elas têm por objetivo ajudar pessoas com mobilidade manual limitada, o que lhe permite vender o produto de acordo com uma lei federal.

    Sediada em Moran, no Texas, a Slide Fire não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

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