Grupos rivais palestinos Fatah e Hamas assinam acordo de reconciliação

Por Hesham Hajali e Nidal al-Mughrabi

CAIRO/GAZA (Reuters) - As facções palestinas rivais Hamas e Fatah assinaram nesta quinta-feira um acordo de reconciliação política, depois que o Hamas aceitou entregar o controle administrativo da Faixa de Gaza, incluindo o decisivo posto de fronteira de Rafah, uma década após ter tomado o enclave em uma guerra civil.

O acordo mediado pelo Egito aproxima o partido Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, apoiado pelo Ocidente, e o Hamas, um movimento militante islâmico apontado por países ocidentais e por Israel como terrorista.

A unidade palestina também pode fortalecer a posição de Abbas em uma eventual retomada nas negociações sobre um Estado palestino em territórios ocupados por Israel. As disputas internas entre os palestinos vinham sendo um grande obstáculo para as conversas de paz, uma vez que o Hamas travou três guerras com Israel desde 2008 e continua a pedir a destruição do país.

A decisão do Hamas de transferir poderes administrativos de Gaza para um governo apoiado pelo Fatah marca uma grande virada, propiciada em parte pelos temores do Hamas de um isolamento financeiro e político depois que seu principal apoiador e doador, o Catar, passou a enfrentar uma disputa diplomática de grandes proporções com países como a Arábia Saudita, que o acusam de apoiar militantes islâmicos. O Catar nega.

Israel recebeu a notícia sobre o acordo palestino cautelosamente, dizendo que os palestinos têm que cumprir acordos internacionais e termos anteriores estabelecidos pelos negociadores do chamado Quarteto do Oriente Médio -- incluindo o reconhecimento de Israel e o desarmamento do Hamas.

Milhares de palestinos foram às ruas de Gaza nesta quinta para celebrar o pacto de unidade, com alto-falantes e carros de som tocando canções nacionais e jovens dançando e se abraçando, muitos com bandeiras palestinas e egípcias.

O Egito ajudou a mediar diversas tentativas anteriores de reconciliação entre os dois movimentos palestinos e para a formação de um governo de unidade em Gaza e na Cisjordânia, onde ficam baseados Abbas e a Autoridade Palestina, liderada pelo Fatah.

Hamas e Fatah concordaram em 2014 formar um governo de reconciliação nacional, mas o acordo logo se desfez por recriminações mútuas, e o Hamas continuou a dominar Gaza até o novo pacto fechado nesta quinta.

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