Líder da Catalunha deve ir a Madri para tentar impedir intervenção sobre região

Por Paul Day e Angus MacSwan

MADRI (Reuters) - O líder separatista catalão Carles Puigdemont deve ir a Madri na quinta-feira para explicar sua posição sobre a iniciativa de independência em relação à Espanha e tentar impedir que o governo central espanhol imponha um controle direto sobre a região.

O momento da visita de Puigdemont ao Senado leva a crer que agora é improvável que ele declare a separação formalmente ou convoque uma eleição regional na própria quinta-feira, como muitos analistas esperavam. O líder catalão ainda pode fazê-lo na sexta-feira, antes de o Senado privá-lo de seus poderes e impor o controle direto de Madri sobre a Catalunha.

Uma aparição durante um debate no Senado pode colocar Puigdemont face a face com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que se opõe veementemente à independência da Catalunha.

A crise política, a pior do país desde que a democracia foi restaurada quatro décadas atrás, se agravou gradualmente com a perspectiva de desobediência civil e até de confrontação se Madri for adiante com a imposição de controle direto sobre a região nos próximos dias.

O conflito vem causando um ressentimento profundo em outras partes da Espanha, prejudicando a economia da região próspera e despertando em outros líderes europeus o temor de que ele insufle sentimentos separatistas em outros pontos do continente.

Os secessionistas da Catalunha dizem que o referendo de independência realizado em 1º de outubro --que teve um comparecimento de 43 por cento e foi boicotado pelos catalães que querem permanecer na Espanha-- lhes deu um mandato para reivindicarem um Estado próprio.

O governo de Madri declarou o referendo ilegal e rechaçou os pedidos de diálogo de Puigdemont, preferindo optar pelo controle direto de uma região que já desfruta de uma grande autonomia. Apesar disso, convidou Puigdemont a debater no Senado.

"O presidente Puigdemont está disposto a comparecer ao Senado para explicar as alegações, explicar sua posição política e explicar como chegamos aqui", disse um parlamentar do Partido Democrático Catalão nesta quarta-feira. Quinta-feira seria o dia mais conveniente, acrescentou.

Mas é improvável que Puigdemont consiga ganhar terreno contra um governo que vem se opondo enfaticamente à independência plena e usando todo seu poder legal e político para impedi-la.

Na sexta-feira o Senado deve retirar seus poderes e estabelecer o controle direto, mas as medidas propriamente ditas podem ser adotadas gradualmente para não agravar a situação.

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