Planalto evita comemorações e avalia resultado da votação como dentro do esperado

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Ao final de um dia em que o presidente Michel Temer passou a tarde em um hospital e o governo amargou uma vitória na Câmara menor do que a alardeada, o Palácio do Planalto evitou grandes comemorações, mas está "satisfeito" com o resultado, considerado "dentro do esperado", disseram à Reuters fontes palacianas.

Depois do resultado da votação pela rejeição da segunda denúncia contra Temer na Câmara dos Deputados, não houve qualquer tipo de manifestação oficial por parte do Palácio do Planalto, ao contrário do que aconteceu na primeira denúncia, por corrupção passiva, quando o próprio presidente fez uma declaração à imprensa.

Nesta quarta-feira, depois de deixar o hospital -onde passou por um procedimento para desbloquear a uretra-, Temer foi diretamente para o Palácio do Jaburu e não fez qualquer menção à votação, pessoalmente ou pelas redes sociais.

A segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Temer, pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça, também imputa o crime de organização criminosa aos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e a Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Na noite de terça-feira, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha -que tinha tomado a frente das negociações com deputados- apontava para entre 260 e 270 votos a favor do arquivamento da denúncia. Vários parlamentares da base indicavam um número ainda maior que os 263 obtidos na votação da primeira denúncia, apesar do próprio Planalto ter admitido inicialmente que poderia perder mais de 20 votos.

"Na realidade o governo perdeu apenas seis votos", disse a fonte, afirmando que foram seis os parlamentares que efetivamente mudaram de lado. Os outros seis -de 263, a votação a favor do governo caiu para 251- teriam se transformado em ausências, que subiram de 19 na primeira denúncia para 25 nesta segunda.

Esse foi um dos acordos propostos pelo governo: a deputados que estavam com mais dificuldade de votar com o governo, o Planalto propôs que então se ausentassem da votação.

Desde o início do segundo processo, o governo afirmava que teria os votos necessários para arquivar a denúncia, até porque dificilmente a oposição conseguiria os 342 votos necessários para dar prosseguimento ao processo.

Nas últimas semanas, as negociações visavam evitar que o governo saísse da votação menor do que entrara, o que acabou ocorrendo.

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