Em Pequim, Trump pressiona China sobre Coreia do Norte e comércio

Por Steve Holland e Christian Shepherd

PEQUIM (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a China nesta quinta-feira a fazer mais para controlar a Coreia do Norte, e disse que as relações comerciais bilaterais têm sido injustas com os Estados Unidos, mas elogiou o compromisso do presidente chinês, Xi Jinping, de que a China será mais aberta a empresas estrangeiras.

Sobre os programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, Trump disse que a "China pode resolver esse problema rápida e facilmente", pedindo que Pequim corte laços financeiros com a Coreia do Norte e também pedindo pela ajuda da Rússia.

Trump falou ao lado de Xi na capital chinesa em ato para anunciar a assinatura de cerca de 250 bilhões de dólares em acordos comerciais entre empresas norte-americanas e chinesas, em um passo que alguns da comunidade empresarial dos EUA temem desviar o foco das profundas reclamações sobre o acesso ao mercado da China.

Xi disse que a economia chinesa se tornará cada vez mais aberta e transparente para empresas estrangeiras, incluindo aquelas dos Estados Unidos, e convidou empresas norte-americanas a participarem de sua ambiciosa iniciativa de infraestrutura "Cinturão e Rota".

Trump deixou claro que culpa seus antecessores, e não a China, pelo desequilíbrio na balança comercial, e elogiou Xi várias vezes, chamando-o de "um homem muito especial".       

"Mas faremos com que seja algo justo, e será tremendo para nós dois", disse Trump.

Xi abriu um sorriso largo quando Trump disse não culpar a China pelo déficit e também quando Trump afirmou que o presidente chinês faz as coisas acontecerem.

"É claro que há alguns atritos, mas na base da cooperação mutuamente benéfica e da competição justa esperamos solucionar todas estas questões de uma maneira franca e consultiva", disse Xi.

"Manter a abertura é nossa estratégia de longo prazo. Jamais estreitaremos ou fecharemos nossas portas. Iremos abri-las ainda mais", afirmou. A China também oferecerá um ambiente mais justo e transparente para companhias estrangeiras, inclusive as dos EUA, disse.

PROGRESSO MODESTO

Trump está pressionando Pequim a endurecer sua postura com a Coreia do Norte e seu desenvolvimento de armas nucleares, que desafia sanções da Organização das Nações Unidas (ONU). Espera-se ao menos um progresso modesto, embora não existam sinais imediatos de um grande avanço, disse um funcionário dos EUA.

Referindo-se a Xi, Trump disse: "Acredito que há uma solução para isso, assim como você".

O líder chinês reiterou que seu país lutará pela desnuclearização da Península Coreana, mas não deu nenhum sinal de que a China mudará sua conduta com a Coreia do Norte, ao lado da qual lutou na guerra coreana de

1950-53 contra forças lideradas por Washington.

"Estamos devotados a encontrar uma resolução para a questão da Península Coreana por meio de diálogo e consultas", afirmou Xi.

Falando aos repórteres depois das conversas, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, contou que Trump disse a Xi: "Você é um homem forte, tenho certeza de que pode solucionar isto para mim".

Tillerson disse que os dois líderes concordaram que não podem aceitar uma Coreia do Norte com armas nucleares, mas reconheceu que eles têm algumas diferenças quanto às táticas e ao momento de agir.

Como demonstração da importância que a China atribuiu à primeira visita de Trump, a cerimônia de boas-vindas realizada diante do Grande Salão do Povo, que tem vista para a Praça Tiananmen, foi transmitida ao vivo na televisão nacional – um tratamento inédito a um líder em visita.        

No início desta quinta-feira, Xi disse ter tido uma troca de opiniões profunda com Trump na qual chegaram a consensos em diversas questões de interesse mútuo.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick, Matthew Miller, Philip Wen e John Ruwitch)

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