Chefe do Parlamento catalão é solta sob fiança, mas impedida de fazer campanha eleitoral

Por Alba AsenjoDominguez

MADRI (Reuters) - A presidente do Parlamento catalão deve ser solta da prisão nesta sexta-feira, mas os termos com os quais concordou em troca de poder sair sob fiança devem impedi-la de fazer campanha como candidata pró-independência nas eleições regionais do mês que vem.

Carme Forcadell compareceu diante da Suprema Corte na quinta-feira para responder acusações de rebelião, sedição e uso indevido de fundos públicos por ter permitido uma declaração de independência da Catalunha no final de outubro, o que levou o governo da Espanha a assumir o controle da região.

Ela foi solta mediante uma fiança de 150 mil euros depois de concordar em renunciar a qualquer atividade política que vá de encontro à Constituição espanhola, de acordo com o veredicto do tribunal.

Estes termos ameaçam minar ainda mais um movimento pró-secessão no qual já surgem fissuras.

Segundo fontes da corte, na quinta-feira ela disse que a declaração de independência não tem obrigatoriedade legal.

O juiz Pablo Llarena disse que o tribunal pode reconsiderar sua decisão se encontrar indícios de que ela cometeu outros delitos – na prática barrando sua campanha separatista para a eleição de 21 de dezembro.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, convocou a eleição após a declaração de independência, dissolveu o Parlamento catalão e demitiu o governo do presidente catalão, Carles Puigdemont.

Na ocasião Forcadell descreveu as ações de Rajoy como "golpe" e "ataque contra a democracia", enquanto Puigdemont classificou a declaração como um grande passo para o estabelecimento de um Estado catalão independente.

Na terça-feira o PDeCAT, partido de Puigdemont – que foi a Bruxelas depois de ser deposto – foi incapaz de combinar uma chapa unificada para disputar a eleição com outro partido separatista, diminuindo as esperanças do campo pró-independência de levar adiante sua tentativa de separação da Espanha após a votação.

A corte disse, em um comunicado, que recebeu o pagamento da fiança de Forcadell e que um oficial estava a caminho da prisão para libertá-la.

As autoridades continuam a investigar seu papel no referendo independentista proibido, e a corte confiscou seu passaporte e ordenou que ela se reporte às autoridades judiciais uma vez por semana.

Um grupo catalão pró-independência, a Assembleia Nacional Catalã, disse ter pago a fiança de Forcadell e convocado um protesto para o sábado no qual exigirá a libertação de outros líderes catalães.

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