Merkel pede comprometimento na reta final de negociações para governo de coalizão

Por Michael Nienaber

BERLIM (Reuters) - A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu neste domingo que os líderes dos partidos que negociam um complicado governo de coalizão demonstrem maior vontade de se comprometer, num momento em que o apoio ao seu bloco conservador caiu para o nível mais baixo em mais de seis anos.

Os conservadores de Merkel, que perderam apoio para o partido Alternativa para a Alemanha, de extrema-direita, na eleição em 24 de setembro, tentam forjar uma aliança com os Democratas Livres (FDP), que são pró-mercado, e os Verdes, de esquerda, combinação ainda não testada em nível nacional.

Apesar de três semanas de conversas exploratórias, os parceiros improváveis ainda têm que superar as diferenças em relação às políticas de proteção climática, energia, transportes, imigração e zona do euro.

Falando antes de uma reunião em que os líderes do partido deveriam resumir os progressos alcançados até agora e preencher algumas lacunas, Merkel disse que todas as partes trocaram seus pontos de vista e, em seguida, consolidaram as abordagens, destacando suas diferenças.

"Agora, nesta terceira fase, a tarefa é chegar a um acordo", afirmou a chanceler, acrescentando que ainda havia muito trabalho a ser feito. "Mas, do meu ponto de vista, uma solução pode ser alcançada com boa vontade", completou. "No entanto, não saberemos se isso será alcançado antes do final da semana".

O líder do FDP, Christian Lindner, passou a tarefa aos democratas-cristãos de Merkel (CDU) e seus aliados bávaros da CSU, dizendo que seu partido e os Verdes já cederam.

"Os Verdes e os FDP se movimentaram. Agora cabe aos conservadores mostrarem alguma flexibilidade. Suponho que há boa vontade de todos os lados", disse Lindner.

Katrin Goering-Eckardt, dos Verdes, disse que queria ver um salto dos outros parceiros de negociação. Mas o líder do CSU, Horst Seehofer, recusou-se a comentar quando questionado pelos repórteres quais concessões estava disposto a oferecer.

Os Verdes fizeram concessões na terça-feira ao não insistir mais em datas fixas para proibir carros com motores a combustão e desligamento de estações de energia a carvão.

O FDP, por sua vez, cedeu ao aceitar cortes mais modestos sobre o imposto de renda que uma promessa de campanha eleitoral de até 40 bilhões de euros em reduções. Lindner também lançou um manifesto eleitoral em que prometeu eliminar o fundo de resgate ESM, da zona do euro.

Merkel quer chegar a um acordo, em princípio, até o dia 16 de novembro sobre as negociações formais da coalizão para constituir um governo preto-amarelo-verde - apelidado de "coalizão da Jamaica" porque as cores dos partidos combinam com a bandeira daquele país.

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