Tucano Bruno Araújo pede demissão das Cidades e Temer inicia reforma ministerial

Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Em um movimento que antecipou a reforma ministerial do governo, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, pediu demissão nesta segunda-feira, pouco depois de fazer sua última cerimônia à frente do cargo, o lançamento do Cartão Reforma, na primeira baixa tucana na equipe do presidente Michel Temer.

Poucas horas depois, o Palácio do Planalto confirmou que Temer vai aproveitar o pedido de demissão para iniciar a reforma, que deverá estar concluída, segundo nota, até meados de dezembro.

"O presidente Michel Temer recebeu na tarde de hoje o pedido de exoneração do ministro das Cidades, Bruno Araújo, a quem agradece pelos bons serviços prestados. O presidente dará início agora a uma reforma ministerial que estará concluída até meados de dezembro", afirma uma nota curta da Secretária de Comunicação da Presidência.

Bruno Araújo alegou falta de apoio de seu partido, que vem ameaçando deixar o governo, para continuar no ministério.

"Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa", admitiu ele, na carta.

Ao sair a primeira denúncia contra Temer, em maio deste ano, o deputado chegou a pedir demissão, no dia mais crítico do governo Temer. No entanto, foi convencido a ficar e aguardar a decisão do partido.

O PSDB tem ainda outras três pastas: Direitos Humanos, com Luislinda Valois; Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores.

A saída de Araújo precipitou um rearranjo na Esplanada dos Ministérios com o aumento de espaço de partidos do centrão, que, ao contrário dos tucanos, votaram praticamente coesos na rejeição das duas denúncias criminais contra Temer.

O presidente resistia a fazer uma reforma agora, mas foi avisado por aliados que somente assim poderia ter chances de aprovar uma reforma da Previdência "enxuta".

Os aliados esperavam que as mudanças na Esplanada fossem realizadas nas próximas duas semanas, a tempo hábil de se tentar votar a nova versão da reforma no plenário da Câmara ainda este ano.

DISPUTA DE ESPAÇO

Nos bastidores, com a saída de Araújo, o PP é um dos partidos que pressiona o governo para ter o controle do Ministério das Cidades. O líder do partido na Câmara, Arthur Lira (AL), negou que a legenda esteja reclamando maior espaço na Esplanada.

Lira afirmou que a decisão de Bruno Araújo de pedir demissão pode "ajustar" o tamanho adequado das legendas da base aliada a fim de garantir um apoio "firme" para retomar a votação da agenda de reformas.

"Não é só a posição do Bruno, é uma rearrumação. Imagino que temos partidos que estão subrepresentados e outros superrepresentados e ministros que não representam voto nenhum no Congresso", disse Lira.

A expectativa é que, se o governo for contemplar o PP nas Cidades, o ocupante do partido não seja um parlamentar que vá disputar as eleições no próximo ano. Isso porque, se entrar agora, terá de deixar o Ministério em abril, prazo para que os candidatos a cargos eletivos têm para se desincompatibilizar.

Dessa forma, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), ex-ministro das Cidades, não deverá voltar à Esplanada por ser candidato à reeleição.

Nesse cenário, o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, que já foi titular da pasta, é um dos nomes cotados para assumir o ministério mais uma vez. Occhi é acusado pelo empresário Lúcio Funaro, em delação premiada, de ter, quando ocupou anteriormente cargo na Caixa, uma meta para distribuir propinas a membros do PP. Ele já negou em nota ter cometido qualquer irregularidade.

Um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que o PP já tem um bom espaço na Esplanada e reconheceu que o governo não tem como atender a todo mundo. Ele defendeu que se resolva a questão dos espaços da base "rapidamente".

"Não pode demorar. Não estou nem contando voto (para a reforma da Previdência) sem resolver isso. Precisa resolver essa questão política", disse Mansur.

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