Rússia veta ação na Síria pela 10ª vez na ONU e bloqueia inquérito

Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Rússia usou nesta quinta-feira seu 10º veto sobre uma ação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sobre a Síria desde que a guerra começou em 2011, bloqueando uma resolução esboçada pelos Estados Unidos para renovar um inquérito internacional sobre quem é culpado por ataques de armas químicas na Síria.

O mandato para o inquérito conjunto da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW), que estabeleceu que o governo sírio usou o proibido agente nervoso sarin em um ataque em 4 de abril, expira à meia-noite desta quinta-feira.

    A resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto de Estados Unidos, França, Rússia, Reino Unido ou China para ser adotada. O esboço dos EUA recebeu 12 votos a favor e abstenções da China e Egito.

    A Rússia, aliada da Síria, retirou seu próprio projeto de resolução rival para renovar o inquérito, formalmente conhecido como Mecanismo Conjunto Investigativo (JIM), pouco antes da votação do conselho sobre o esboço dos EUA. Diplomatas disseram que o texto de esboço russo possuía pouco apoio entre o conselho de 15 membros.

No entanto, depois da votação sobre o projeto dos Estados Unidos, a Bolívia solicitou uma votação do texto russo, que foi rejeitado, recebendo apenas quatro votos a favor, sete contra e quatro abstenções.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que o projeto de resolução dos Estados Unidos não era equilibrado.

"Gostaríamos de lembrar os nossos colegas dos EUA e aqueles que ... apoiaram o seu projeto irrealista, gostaríamos de lembrá-los que vocês carregam o ônus da responsabilidade se o mecanismo não puder ser recuperado", disse Nebenzia ao conselho.

A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse a repórteres antes da votação que não pôde falar com Nebenzia nesta semana sobre a renovação do inquérito. Ela disse que os EUA haviam alterado seu esboço diversas vezes em tentativa de conquistar apoio russo para a medida.

“Por alguma razão os telefones da missão russa não estão funcionando. Nós tentamos telefonar para eles e eles estavam muito ocupados para conversar conosco nesta semana e quando eu tentei ligar para Vassily por alguma razão ele não estava disponível”, disse Haley.

Após a votação, a embaixadora norte-americana afirmou que fará outro projeto.

    Antes da votação do conselho, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira para o Conselho de Segurança da ONU renovar o inquérito, dizendo ser necessário impedir que o presidente sírio, Bashar al-Assad, use armas químicas.

    “Precisamos que todos no Conselho de Segurança da ONU votem para renovar o Mecanismo Conjunto Investigativo para garantir que o regime de Assad não cometa assassinato em massa com armas químicas nunca mais”, escreveu Trump no Twitter.

Embora a Rússia tenha concordado em 2015 com a criação do JIM, o país tem consistentemente questionado suas descobertas, que também concluíram que o governo sírio usou cloro como uma arma diversas vezes.

    A Rússia agora possui 10 resoluções vetadas sobre a Síria desde que o conflito começou em 2011, incluindo um bloqueio de uma tentativa inicial dos EUA em 24 de outubro de renovar o JIM, dizendo querer esperar pela divulgação dois dias depois de um relatório do inquérito que culpava o governo sírio por um ataque com gás sarin.

A Síria concordou em destruir suas armas químicas em 2013 sob um acordo mediado pela Rússia e pelos Estados Unidos.

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