Negociação para coalizão alemã perde prazo; partidos seguem em desacordo

Por Andreas Rinke e Thorsten Severin

BERLIM (Reuters) - Os esforços da chanceler alemã, Angela Merkel, para formar um governo de coalizão podem se prolongar por todo o fim de semana, após as três partes em negociação perderem o prazo inicial estabelecido por Merkel e não alcançarem um acordo até quinta-feira em questões como imigração e finanças.

Os conservadores de Merkel, o pró-mercado Partido Democratas Livres (FDP) e os ambientalistas Verdes disseram a jornalistas por volta das 4h da manhã que fariam um intervalo após 15 horas de negociações frustrantes e retomariam o trabalho por volta das 12h desta sexta-feira (horário local).

"Ainda acreditamos que vale a pena trabalhar nisso com toda nossa energia", disse Peter Tauber, secretário geral da União Democrata-Cristã (CDU), partido de Merkel. "Por outro lado, é evidente que isso está difícil."

Wolfgang Kubicki, vice-líder do FDP, disse a jornalistas estar "extremamente frustrado" após quatro semanas de negociações que não conseguiram produzir um acordo.

"Caso as coisas permaneçam assim, não chegaremos muito longe", disse Kubicki. "É frustrante quando você senta junto e depois percebe que está de volta onde começou."

Kubicki disse ao canal de televisão ARD que os partidos estão "ainda muito distantes em questões-chave como imigração, combate à mudança climática, finanças e segurança, que eu não posso imaginar como poderemos nos juntar no curto tempo disponível."

Michael Kellner, dos Verdes, disse que ainda há muito a ser feito. "Nada foi acordado, nada foi decidido", disse.

O negociador dos Verdes Juergen Trittin disse ao canal DLF que as partes se aproximaram na questão de eliminar progressivamente a produção de carvão, mas que os conservadores se recusaram a se comprometer com a questão de requerentes de asilo que querem trazer suas famílias imediatamente para a Alemanha.

Merkel quer encerrar as negociações exploratórias na quinta-feira sobre a coalizão de três lados, algo nunca testado a nível nacional, mas o clima azedou logo após o início das reuniões.

A chanceler está sob pressão por parte de seu próprio bloco conservador, em particular o partido CSU, da Baviera, para ser firme em questões-chave, especialmente sobre a imigração, após o fluxo de mais de 1 milhão de imigrantes nos últimos dois anos.

O CSU, preocupado em perder mais terreno nas eleições regionais de 2018, está pressionando por freios aos imigrantes e por uma imigração mais ordenada.

Caso os negociadores fechem um acordo, ele ainda deverá passar pelo crivo de outros membros dos partido. Um importante teste seria a conferência dos Verdes, em 25 de novembro, quando as fileiras do partido examinariam um eventual pacto de coalizão.

(Reportagem adicional de Hans-Edzard Busemann e Andrea Shalal)

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