Impasse com escolha do PMDB para Secretaria de Governo pode garantir continuidade de Imbassahy

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Um impasse que opõe os interesses da bancada do PMDB com os partidos do chamado centrão pelo comando da Secretaria de Governo pode fazer com que o presidente Michel Temer desista, ao menos durante as negociações em torno da votação da nova reforma da Previdência, de trocar o titular do cargo e mantenha, ao menos até abril, o tucano Antonio Imbassahy no posto.

Por um lado, segundo duas fontes, os peemedebistas afunilaram a escolha entre três nomes e decidiram indicar o vice-líder do partido, Carlos Marun (MS), para o ministério. Ele é um dos que preencheriam o pré-requisito estipulado pelo governo de não concorrer nas eleições do próximo ano. Segundo uma das fontes, o nome dele - um dos principais defensores do governo - já chegou a Temer.

Por outro lado, líderes de partidos do centrão, segundo uma das fontes, passaram a defender que o melhor seria manter Imbassahy no cargo sob o argumento de que a entrega da pasta ao PMDB poderá surtir o efeito contrário ao desejado: desequilbrar a base aliada no momento em que o governo busca votos para aprovar a nova versão da reforma da Previdência.

Dessa forma, Imbassahy poderá ficar até, pelo menos, o início de abril de 2018, prazo que ministros terão para deixar os cargos se quiserem concorrer nas eleições de outubro.

"Para mim, não altera nada (o Imbassahy ficar). O presidente gosta dele", disse um dos líderes do centrão à Reuters, que pediu para não ser identificado.

"Ele ficaria na cota pessoal do Temer", completou essa liderança, ressalvando, entretanto, que o atual ministro não conversa com boa parte da base e garante nenhum voto na eventual votação da reforma.

Por trás dessa avaliação, está uma disputa velada na base cujo centrão - partidos médios como PP, PR, PTB e PSC - não querem fortalecer o PMDB na dança de cadeiras da Esplanada.

Nos últimos dias, o presidente tentou fechar as negociações em torno da reforma ministerial pontual que pretendia promover principalmente em relação aos cargos comandados pelo PSDB, que deverá desembarcar do governo no dia 9 de dezembro.

A pretensão do governo, segundo uma fonte ligada a Temer, seria anunciar as duas principais mudanças na Esplanada já na quarta-feira, dia da provável apresentação do novo texto da reforma da Previdência pelo relator, deputado Arthur Maia (PPS-BA): a ida de Alexandre Baldy (sem partido-GO) para o Ministério das Cidades, com o aval do PP - provável destino partidário dele - e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e a eventual mudança na Secretaria de Governo.

Mas a disputa desses partidos deve fazer com que apenas a troca nas Cidades ocorra por enquanto, uma vez que a posse de Baldy está prevista para a tarde desta quarta-feira.

Há quem afirme abertamente na base aliada que, mesmo com a minirreforma ministerial, o governo não terá votos suficientes para aprovar a nova Previdência.

"Você acredita em aprovação da reforma? A mexida na Esplanada não muda nada a vontade dos parlamentares. Quem vai começar uma campanha eleitoral colocando o pescoço na forca", disse à Reuters o líder do PR na Câmara, José Araújo (BA), para quem é melhor deixar para fazer uma reforma para valer para o próximo presidente, a partir de 2019.

No início da tarde, o presidente do PMDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), defendeu que a bancada do PMDB seja consultada na escolha do novo ministro da Secretaria de Governo e que vai indicar um nome de "consenso" para aprovar a reforma.

"É importante que a Câmara possa opinar e terá um nome de consenso que vai poder ajudar a construir essa nova votação da Previdência", disse.

Por sua vez, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, garantiu que o governo vai ter os votos suficientes para aprovar a nova versão da reforma da Previdência na Câmara até o final do ano. Ele disse, entretanto, que a aprovação da proposta não depende "necessariamente" de uma reforma ministerial.

"Mas evidentemente as coisas todas andam juntas. Nós precisamos criar condições para ter uma maioria parlamentar tanto na Câmara quanto no Senado comprometida com determinados objetivos de política econômica", disse Moreira.

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