Papa diz que inimigos de reformas no Vaticano são "traidores", não mártires

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco voltou a criticar duramente algumas das maiores autoridades do Vaticano nesta quinta-feira, dizendo que pessoas demitidas por obstruírem suas reformas não deveriam agir como mártires, mas admitir que são "traidoras".

Pelo quarto ano seguido, Francisco usou sua saudação de Natal à Cúria, a burocracia da Igreja Católica, para dar um sermão nos cardeais, bispos e outros chefes de departamentos reunidos a respeito da necessidade de mudança.

Ele disse que alguns integrantes da Cúria --o centro nervoso da Igreja de 1,2 bilhão de fiéis, a cujos membros cumpre colocar em prática as decisões do pontífice-- são parte de "panelinhas e complôs". Francisco os classificou como "desequilibrados e degenerados" e um "câncer que leva a uma atitude autorreferente".

Desde que foi eleito como primeiro papa latino-americano em 2013, Francisco vem tentando reformar a Cúria, dominada por italianos, para aproximar a hierarquia católica de seus membros, realizar reformas financeiras e afastar a entidade dos escândalos que marcaram o pontificado de seu antecessor, Bento 16.

Mas ele vem encontrando resistência, especialmente em alguns departamentos que foram fechados, fundidos ou otimizados.

No discurso desta quinta-feira, ele falou sobre os "traidores da confiança" que foram encarregados de realizar as reformas, mas "se deixaram corromper pela ambição e a vanglória".

Quando são demitidos discretamente, disse, "eles se declaram equivocadamente mártires do sistema... ao invés de fazerem um

'mea culpa'".

Francisco não deu exemplos específicos.

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