Crédito para empresas no Brasil recuará em 2017 e 2018, projeta BC

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O mercado de crédito para as empresas no Brasil vai continuar encolhendo em 2018, mostrou o Banco Central nesta sexta-feira, movimento que se dará pela falta de sinais de recuperação do crédito direcionado ligado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para o próximo ano, o BC calculou contração de 2 por cento do crédito total voltado para pessoas jurídicas e de 8 por cento neste ano.

"Não temos ainda indicações de recuperação no mercado de crédito direcionado para pessoas jurídicas em 2018. Isso ainda está ligado às operações de crédito do BNDES e à perspectiva que se tem para isso", afirmou a jornalistas o chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha.

Os números refletem a persistente fraqueza na tomada de empréstimos no país, apesar da gradual retomada da atividade econômica. A incipiente reação no mercado de crédito, sobretudo voltado para empresas, ocorre a despeito das sucessivas quedas na taxa básica de juros, hoje na mínima histórica de 7 por cento.

Os desembolsos do BNDES --que neste ano devem ficar abaixo de 80 bilhões de reais, umas das menores cifras já feitas pelo banco de fomento--, sofreram o impacto da fraca atividade econômica, que ainda dá sinais modestos de recuperação.

TOTAL

No geral, o estoque de crédito no país deve crescer 3 por cento em 2018, voltando ao azul após dois anos de queda. Para 2017, o BC piorou sua projeção para retração de 1 por cento, contra estabilidade antes. Em 2016, o estoque havia caído 3,5 por cento.

Mesmo indo para o campo positivo no ano que vem em termos nominais, o saldo geral de financiamentos continuará entregando resultado pior que a inflação medida pelo IPCA, estimada pelo BC em 4,2 por cento para 2018.

"O ponto a destacar é a volta do crescimento nominal do mercado de crédito depois uma redução dos saldos. Isso mostra que a situação do crédito deve melhorar, que o pior momento já passou", avaliou Rocha.

Ele acrescentou que o movimento será puxado pelas operações de crédito livre e pelo maior fôlego demonstrado pelas pessoas físicas. A expectativa do BC é que o estoque total de crédito às famílias suba 7 por cento em 2018, após elevação de 6 por cento em 2017.

Para o crédito livre, em que as taxas de juros são livremente definidas pelas instituições financeiras, a estimativa é de alta de 4 por cento em 2018, após crescimento de 0,5 por cento neste ano.

Já para o crédito direcionado, o BC vê alta de 1 por cento em 2018, após piorar sua estimativa para este ano para contração de 3 por cento, ante queda de 0,5 por cento para 2017.

(Edição de Patrícia Duarte)

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