Separatistas ganham eleição da Catalunha em repreensão à Espanha e União Europeia

Por Sonya Dowsett e Sam Edwards

(Reuters) - Separatistas da Catalunha parecem prontos para recuperar o poder na rica região espanhola após eleições locais na quinta-feira, aprofundando a crise política do país em uma nítida repreensão ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e a líderes da União Europeia que o apoiaram.

Mercados espanhóis recuaram com o resultado surpresa, que também é um revés para a União Europeia, que agora precisa se preparar para mais ruídos separatistas à medida que luta com o transtorno do Brexit e com o descontentamento latente no leste europeu.

Com quase todos os votos apurados, partidos separatistas conquistaram uma pequena maioria no Parlamento catalão, em um resultado que promete prolongar tensões políticas que têm prejudicado a economia espanhola e desencadeado um êxodo comercial da região.

Rajoy, que convocou as eleições após destituir o governo separatista anterior, esperava que a “maioria silenciosa” da Catalunha superaria os separatistas, mas seu tiro saiu pela culatra.

O resultado inesperado prepara o palco para o retorno ao poder do presidente catalão deposto, Carles Puigdemont, que fez campanha a partir de Bruxelas, onde está vivendo em autoexílio. Procuradores o acusam de insubordinação e ele pode ser preso se voltar para casa.

"Ou Rajoy muda sua receita ou nós mudamos o país", disse Puigdemont em um discurso televisionado, flanqueado por quatro ex-ministros de gabinete que fugiram com ele.

Em eventos pró-independência ocorridos em Barcelona, apoiadores exultantes entoavam "Presidente Puigdemont" e exibiam bandeiras catalãs à medida que os resultados eram divulgados.

O porta-voz de Puigdemont disse à Reuters em uma mensagem de texto: "Somos aqueles que sempre dão a volta por cima".

O desfecho causou tensão nos mercados globais, contribuindo para um recuo no euro e uma contenção nos mercados de ações. As pesquisas de opinião haviam previsto que os secessionistas ficariam aquém de uma maioria parlamentar.

Rajoy não comentou de imediato após a divulgação dos resultados.

Os partidos separatistas obtiveram 70 dos 135 assentos, e a sigla de Puigdemont, Junts Per Catalunya, manteve a posição de maior força independentista da legislatura.

O partido unionista Ciudadanos conquistou a maior parte dos votos, mas outras forças pró-Madri, como o Partido Popular (PP) de Rajoy e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), tiveram um desempenho ruim.

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