Trump critica ex-assessor Bannon por comentários contra Trump Jr

Por Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta quarta-feira o ex-conselheiro da Casa Branca Steve Bannon, afirmando que ele "perdeu a cabeça" por conta de comentários que Bannon fez sobre o filho de Trump, Donald Trump Jr. em trechos de um novo livro.

Trump, que tinha continuado a falar privadamente com Bannon nos meses que se seguiram à sua saída do posto de estrategista-chefe da Casa Branca em agosto, basicamente cortou relações com Bannon em comunicado divulgado após os comentários do ex-assessor sobre Don Jr. se tornarem públicos.

"Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com a minha Presidência. Quando ele foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu a cabeça", disse Trump.

O presidente norte-americano disse que Bannon teve pouco a ver com sua vitória na eleição presidencial de 2016, mas foi culpado pela perda em dezembro de um assento do Alabama no Senado dos EUA que pertencia a um republicano, quando o republicano Roy Moore, que foi acusado de molestar crianças e era apoiado por Trump e Bannon, perdeu a eleição para o democrata Doug Jones.

"Agora que ele está por conta própria, Steve está aprendendo que vencer não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve tem muito pouco a ver com nossa vitória histórica, que foi entregue pelos homens e mulheres esquecidas deste país. Porém, Steve teve tudo a ver com a perda de um assento do Alabama no Senado que pertencia há mais de 30 anos aos republicanos", disse Trump.

"Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, ainda assim ele passou seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para que parecesse muito mais importante do que era. É a única coisa que ele faz bem", acrescentou Trump.

Bannon expressou menosprezo e espanto com a reunião ocorrida na Trump Tower de Nova York, durante a qual uma advogada russa teria oferecido informações prejudiciais sobre a candidata presidencial democrata Hillary Clinton, segundo o livro "Fire and Fury: Inside the Trump White House" ('Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump', numa tradução livre), de Michael Wolff.

No livro, Bannon classifica o encontro arranjado por Trump Jr., e do qual o genro de Trump Jared Kushner e o então chairman da campanha, Paul Manafort, também participaram, de "traiçoeiro" e "nada patriótico". Bannon também é citado afirmando ter certeza de que Trump Jr. teria levado os russos que participaram do encontro para uma reunião com seu pai na Trump Tower.

Os comentários explosivos de um ex-assessor próximo e arquiteto de extrema-direita da vitória de Trump na eleição de 2016 abalou a Casa Branca e o presidente, que é conhecido por valorizar a lealdade de seus associados e funcionários.

"Os três principais sujeitos da campanha acharam que era uma boa ideia se encontrarem com um governo estrangeiro dentro da Trump Tower, na sala de conferência do 25º andar --sem advogados. Eles não tinham advogados", disse Bannon no livro, segundo os trechos vistos pela Reuters.

"Mesmo que você achasse que isso não é traiçoeiro, ou nada patriótico ou uma grande merda, e acontece que eu acho que é tudo isso, deveriam ter chamado o FBI imediatamente."

Quando um intermediário propôs o encontro, afirmando que os russos ofereciam informações que prejudicariam Hillary, Trump Jr. respondeu em email: "Adoro isso."

De acordo com o livro, Bannon ficou incrédulo com o encontro quando ele foi revelado, concluindo sarcasticamente: "Esse é o núcleo de cérebros que eles tinham."

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